A ocupação da sede da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc) por estudantes da Upes, na quarta-feira (25/3), não é um evento isolado, mas o sintoma agudo de uma desconexão entre o o governo Tarcísio de Freitas e a sala de aula.
Quando jovens decidem dormir no chão frio de um prédio público na Praça da República, eles não estão apenas “reivindicando”; eles estão denunciando a falência de um diálogo que deveria ser a base da educação.
A valorização dos professores e a melhoria das condições físicas das escolas são promessas de campanha que, na prática, esbarram em um projeto de gestão que prioriza a métrica fria em detrimento da realidade humana.
O que se vê em São Paulo é a tentativa de gerir a educação como uma linha de montagem, onde o sucesso é medido por índices estatísticos enquanto as goteiras persistem e o salário do docente permanece estagnado diante da inflação.
O ponto mais crítico e lamentável desse episódio, contudo, é a resposta dada pelo braço armado do Estado. A utilização da força policial contra estudantes secundaristas revela uma faceta autoritária que substitui o debate pedagógico pelo cassetete.
Ao tratar uma ocupação política como caso de polícia, o governo estadual sinaliza que não reconhece o estudante como sujeito de direito, mas como um obstáculo à ordem.
O uso de táticas repressivas contra adolescentes que lutam pelo próprio futuro é uma inversão de valores gritante. O Estado, que deveria proteger o ambiente escolar, torna-se o agressor daqueles que o compõem.
O governo paulista frequentemente se orgulha de liderar rankings nacionais de educação. No entanto, esses números escondem um cenário de precarização. A política educacional atual está focada na privatização de serviços e na implementação de plataformas digitais que, embora úteis, não substituem o investimento básico em infraestrutura e capital humano.
A ocupação da Seduc é um grito de socorro. Ignorar as demandas ou responder com violência apenas aprofunda o abismo entre a juventude e as instituições. Se o governo de São Paulo deseja, de fato, uma educação de excelência, precisa entender que ela não se faz de cima para baixo, mas ouvindo quem sente o giz nas mãos e o peso da mochila nas costas.
