Início Manchete Agressões a professores em SP: uma epidemia sob o governo Tarcísio

Agressões a professores em SP: uma epidemia sob o governo Tarcísio

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A a rede de ensino estadual de São Paulo sangra. Dados alarmantes revelam que o estado registra uma agressão física contra educadores a cada quatro horas. O cenário, descrito por especialistas como uma “epidemia silenciosa”, já resulta no afastamento diário de 65 professores por problemas de saúde mental, agravados pelo medo e pela insegurança crônica no ambiente escolar.

A violência não é um número abstrato; ela tem rosto e história. Na última semana, uma professora de inglês de 62 anos, com quase três décadas dedicadas à educação, foi covardemente agredida após flagrar alunos colando em uma prova. O impacto foi tamanho que a docente perdeu a consciência e sofreu um princípio de convulsão após ser atingida por um chute. Como se não bastasse a agressão física, a diretora da unidade ainda sofreu ameaças do pai do aluno agressor durante o registro da ocorrência.

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Este caso é o ápice de um cotidiano de terror que se espalha pela capital e pelo interior. Relatos colhidos pela TV Record mostram que o desrespeito é a norma: de tesouras arremessadas contra docentes a ameaças com armas de fogo dentro da sala de aula.

Nos dois primeiros meses deste ano, São Paulo acumulou 924 boletins de ocorrência em escolas, sendo 324 casos de lesão corporal. Nacionalmente, 10% dos docentes já sofreram agressões físicas, e um quarto da categoria convive com ofensas verbais constantes.

Especialistas do Observatório do Estado Social Brasileiro apontam que, nos últimos 20 anos, consolidou-se uma cultura onde “todo mundo está autorizado a agredir e humilhar o professor”.
A consequência do descaso é o esvaziamento das escolas. Estima-se que cerca de 20.000 professores estejam afastados da rede estadual, muitos há mais de três anos. Educadores experientes, como um docente de 70 anos que recentemente sofreu ameaças de morte, confessam o desânimo: “Tenho pensado muito o que fazer, se vou fazer outra coisa na vida”.

O governo estadual, por meio de suas normativas, fala em “correção de rota”, mas na prática, os educadores seguem desamparados. Enquanto o lucro e as privatizações forem o norte da gestão paulista, o ambiente escolar continuará sendo um campo de batalha onde quem ensina é vítima e quem deveria proteger é omisso.

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