Professores da rede estadual ocuparam a Avenida Paulista nesta sexta-feira (10) na capital de São Paulo. A assembleia estadual da categoria, marcada pela denúncia da “plataformização”, da militarização das escolas e da reforma administrativa (PL 1316), deliberou por um calendário de mobilização permanente, culminando em uma nova assembleia decisiva na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) no dia 28 de abril.
A categoria, que já vinha de dois dias de paralisação (9 e 10 de abril), debateu o fôlego do movimento frente à truculência da gestão estadual. Embora tenha havido uma forte defesa pela continuidade imediata da greve por parte de setores da oposição à direção da Apeoesp, a maioria do Conselho Estadual de Representantes (CR) e da assembleia optou por um calendário de lutas estratégico. O objetivo é acumular forças, dialogar com a comunidade escolar no interior e na capital, e garantir uma presença massiva no dia da votação do PL 1316.
A deputada estadual Professora Bebel e outros dirigentes destacaram que o governo Tarcísio tenta desmantelar a carreira docente. Enquanto policiais receberam 10% de reajuste, os professores seguem com zero de aumento, recebendo apenas “bônus” que excluem aposentados e não se incorporam ao salário. Além disso, o PL 1316 é visto como uma “desgraça” que institui a punitiva avaliação “professor farol” e transforma faltas-aula em faltas-dia, aprofundando o assédio moral.
Atualmente, se um professor falta a uma aula específica, mas cumpre o restante de sua jornada, o registro e o desconto são proporcionais àquela aula (falta-aula). Com a nova regra do PL 1316, a ausência em uma única aula passaria a ser registrada como se o profissional tivesse faltado o dia inteiro (falta-dia).
Calendário de Mobilização Aprovado
Para barrar os retrocessos e exigir a valorização profissional, a categoria aprovou os seguintes passos:
- 14 de abril (14h30): Pressão na Alesp para acompanhar os debates sobre o PL 1316.
- 15 de abril: Engajamento na Marcha Nacional em Defesa da Educação Pública (CNTE/CUT) em Brasília e atos em todo o país.
- 16 de abril: Encontros com estudantes e pais, com foco em educação especial e inclusiva.
- 17 de abril: Dia estadual de avaliação e denúncia dos impactos negativos do governo Tarcísio.
- 27 de abril: Ato de solidariedade ao povo cubano contra o bloqueio econômico.
- 28 de abril (10h): Nova Assembleia Estadual e ato em defesa do IAMSPE na porta da Alesp, visando barrar a reforma administrativa.
Impacto no Interior e Solidariedade Social
O movimento demonstrou capilaridade, com caravanas de regiões como Presidente Prudente, Franca, Ribeirão Preto e Vale do Ribeira, que viajaram à noite para se somar à luta. A assembleia também deu voz aos professores indígenas, que denunciaram a precarização das escolas nas aldeias e a redução de direitos básicos, como a merenda escolar.
O tom da mobilização é de resistência contra um governo descrito como autoritário e “nefasto”, que prioriza o lucro sobre o serviço essencial e ignora a dignidade de quem constrói a educação pública no chão da escola. “Se o governador pagou para ver, ele está vendo”, afirmou a secretária-geral Zenaide Honório, celebrando a paralisação em diversas escolas em todo o estado como resposta à desvalorização da categoria.
