Início Manchete Tarcísio emprega familiares no serviço público: esposa, filho e cunhado foram beneficiados

Tarcísio emprega familiares no serviço público: esposa, filho e cunhado foram beneficiados

Foto: Reprodução

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e ex-ministro da Infraestrutura do governo Bolsonaro, usa sua influência para empregar familiares em cargos públicos, o que poderia ser considerado nepotismo cruzado, conforme o Diário do Centro do Mundo. As nomeações ocorreram tanto no governo federal, durante sua gestão como ministro, quanto no Executivo paulista.

Filho estagiou no Ministério da Economia

O filho mais velho de Tarcísio, Matheus Ferreira de Freitas, estagiou no Ministério da Economia de março de 2020 a fevereiro de 2022, enquanto Paulo Guedes era o ministro. Na época, Matheus, com 21 anos, também era consultor do Grupo Gestão, ligado à UnB. O estágio, com jornada de 30 horas semanais, rendia uma bolsa de R$ 1.125 mensais. As atividades incluíam auxiliar na análise de relatórios e na criação de projetos. Após a saída do pai do governo, Matheus foi contratado pelo banco BTG Pactual.

Esposa teve cargo na Embratur com salário de R$ 18 mil

A esposa de Tarcísio, Cristiane Ferreira da Silva Freitas, também obteve um cargo no governo Bolsonaro. De setembro de 2020 a abril de 2022, ela foi coordenadora de Integridade e Integração da Embratur, com um salário de R$ 18.375,37. Cristiane era subordinada a Catiane dos Santos Monteiro Seif, casada com o então secretário de Pesca do governo federal e atual senador pelo PL-SC, Jorge Seif.

Cunhado contratado como assessor e caso Paraisópolis

Já como governador de São Paulo, Tarcísio contratou seu cunhado, Mauricio Pozzobon Martins, como “assessor especial do governador 2”, com salário de R$ 21.017,85. A nomeação ocorreu em janeiro de 2023, simultaneamente à contratação do irmão de Michelle Bolsonaro, Diego Torres Dourado, para o cargo de “assessor especial do governador 1”. A repercussão negativa levou Tarcísio a revogar a nomeação do cunhado, que posteriormente foi para a reserva do Exército e atuou na Infraero durante a gestão de Tarcísio como ministro. Em maio de 2023, foi empossado no comitê de auditoria da Desenvolve SP, com salário de R$ 14,5 mil, e em agosto de 2024, tornou-se assessor parlamentar do deputado estadual Danilo Campetti (Republicanos), com salário de R$ 20.535,08.

Nepotismo cruzado e o caso Campetti

O cunhado de Tarcísio já havia prestado serviços à campanha do governador, recebendo R$ 60 mil por “serviços de administração financeira”. Além disso, alugou um imóvel de seu cunhado em São José dos Campos por valor inferior ao de mercado para que servisse como sua “residência” em São Paulo. O deputado estadual Danilo Campetti, que contratou o cunhado de Tarcísio, também colaborou informalmente na campanha, atuando na equipe de segurança particular do então candidato. Campetti ganhou notoriedade no episódio em que um homem foi morto por agentes de segurança em uma agenda de campanha de Tarcísio em Paraisópolis, em 17 de outubro de 2022.

Foi revelado que Campetti usava arma da Polícia Federal enquanto fazia segurança particular para Tarcísio, o que é ilegal. O caso foi arquivado sem apontar culpados. Em 2022, Tarcísio contratou a esposa do deputado estadual, a jornalista Vanessa Mauri Campetti, pagando R$ 75 mil, o que configuraria nepotismo cruzado. O episódio reforça a imagem de Tarcísio, segundo o DCM, como um político que prioriza a família, a exemplo de Jair Bolsonaro.

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