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Ato na Alesp expõe omissão de Tarcísio em feminicídios e homenageia mulheres

Foto: Olívia Rueda

Em um cenário de retrocessos nos direitos humanos e descaso com as políticas de proteção, o ato solene “Mulheres que Movem a História”, promovido pela deputada estadual Bet Sahão (PT) na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), transformou-se em um poderoso grito de resistência contra a violência institucional e o machismo estrutural que assolam o estado. O evento, que homenageou lideranças da ciência, militância e gestão pública, serviu como plataforma para denunciar a gestão de Tarcísio de Freitas, classificada como “absolutamente omissa” diante de uma epidemia de violência de gênero.

Foto: Olívia Rueda
Foto: Olívia Rueda

A abertura do evento trouxe dados alarmantes que escancaram o fracasso da segurança pública estadual. Segundo a deputada Bet Sahão, o estado de São Paulo registrou um aumento de 31% nos casos de feminicídio apenas nos três primeiros meses de 2024. “O governo do estado tem sido totalmente omisso a ponto de, no final do ano, meu mandato entrar com uma ação para responsabilizar o Tarcísio criminalmente”, afirmou a parlamentar, ressaltando que o Executivo alega falta de recursos para manter as Delegacias de Defesa da Mulher (DDM) abertas 24 horas, ignorando uma lei federal sancionada pelo presidente Lula.

Essa omissão estatal tem um impacto direto no cotidiano das paulistas, gerando um estado de medo onde o simples direito ao “não” é respondido com agressões fatais. A médica Regina Chueiri, que atua em São José do Rio Preto, relatou a “realidade crua” de atender mulheres que chegam ao sistema de reabilitação com sequelas motoras e visuais irreversíveis decorrentes de violência doméstica.

Vozes das Periferias e do Campo: Luta por Justiça Social

O evento deu destaque central às mulheres que transformam a dor em combustível para a mudança social. As Mães de Paraisópolis — Adriana Regina, Fernanda Garcia e Maria Cristina Quirino — foram homenageadas pela resistência incansável após o massacre de 2019. Maria Cristina foi enfática ao denunciar a brutalidade dos agentes públicos: “Estamos aqui porque fomos obrigadas a vestir a camisa da resistência após termos sido agressivamente atingidas pela violência do Estado”.

A luta pela terra e pela soberania alimentar também ecoou no plenário. Claudete Pereira de Souza (Det), liderança do MST, representou o protagonismo feminino na defesa da reforma agrária e da agroecologia, enfrentando a criminalização e a violência do latifúndio no interior paulista. Para as homenageadas, a segurança das mulheres não é apenas uma questão policial, mas passa pela garantia de dignidade e autonomia econômica.

Ciência e Gestão Pública como Ferramentas de Emancipação

A ciência foi exaltada não como um fim em si mesma, mas como um motor de desenvolvimento social para o povo. Figuras como Ana Estela Haddad, idealizadora do ProUni, e a geneticista Mayana Zatz foram reconhecidas por ocuparem espaços historicamente masculinos. Sheila de Carvalho, secretária nacional de Acesso à Justiça, destacou a importância estratégica de mulheres negras ocuparem cargos de decisão para romper com o histórico de exclusão: “Fui a primeira mulher negra a ser secretária nacional do Ministério da Justiça… em 202 anos de história”.

Foto: Olívia Rueda

O ato também homenageou a trajetória de resistência de Amelinha Teles, sobrevivente da ditadura militar, cuja luta contra a tortura legou conquistas democráticas fundamentais ao país. Amelinha reforçou que a história só avança quando movida pelas mulheres, especialmente aquelas que enfrentam o apagamento institucional.

Análise: O Orçamento como Escolha Política

O evento encerrou-se com uma convocação à ação política e orçamentária. As homenageadas e a proponente reforçaram que a luta contra a misoginia exige que as demandas femininas sejam priorizadas no orçamento público. Em um ano eleitoral, a mensagem foi clara: é preciso eleger representantes que não apenas repudiem a violência em discursos, mas que invistam em políticas públicas que protejam a vida das mulheres em todo o estado, da capital ao interior.

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