A crise nas universidades estaduais paulistas atingiu um novo patamar de gravidade, transformando o que era uma reivindicação por permanência estudantil em uma ampla frente em defesa da democracia e da autonomia universitária. Após a violenta invasão policial na Reitoria da USP e o cancelamento unilateral de uma reunião de negociação pelo Cruesp (Conselho de Reitores), a resposta institucional interna foi contundente: 28 Comissões de Inclusão e Pertencimento (CIPs) de diversas unidades e museus da USP, além de 102 docentes da Faculdade de Educação (FEUSP), emitiram notas de repúdio classificando a ação da PM como uma “grave escalada” e uma “barbárie” incondizente com o ambiente acadêmico.
Enquanto a Reitoria tentava justificar a repressão, o movimento ganhou fôlego. O Cruesp, sob pressão, agendou uma nova reunião para esta quinta-feira, 14 de maio, às 10h. O Fórum das Seis já sinalizou que, sem avanços reais no reajuste salarial e na permanência, a greve geral será o caminho inevitável para as três universidades.
Medicina e Educação entram em cena
A mobilização não é apenas por números, mas pela sobrevivência da classe trabalhadora na universidade. Os docentes da FEUSP destacaram que a mudança no perfil discente — com mais filhos e filhas de trabalhadores — exige um investimento proporcional em permanência que as reitorias se negam a garantir.
Na Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), a luta ganhou contornos específicos contra a mercantilização do ensino. Alunos do internato aderiram à greve denunciando a precarização do Hospital Universitário e protestando contra o curso pago Experiência HC”, que simboliza a lógica do “lucro sobre o serviço essencial” em detrimento da formação pública e gratuita.
O fascismo nos campi e a conivência da guarda
A escalada de violência também veio de fora. Na segunda-feira (11/05), enquanto o Cruesp alegava “preservar a integridade” para desmarcar reuniões, grupos de extrema direita invadiam a Unesp de Araraquara e o prédio de História e Geografia da USP.
Em Araraquara: Estudantes em greve foram agredidos fisicamente por milícias digitais de cabelos raspados.
Na USP: Invasores coagiram alunos e funcionários. O fato mais escandaloso, denunciado pela Comissão Organizadora da Semana de Geografia, foi a atitude da Guarda Universitária, que cumprimentou pessoalmente cada agressor após eles terem depredado cartazes e ameaçado a comunidade.
O projeto de extermínio da educação pública
No plano político, o governador Tarcísio de Freitas e seus aliados na Alesp intensificam o cerco. O deputado Guto Zacarias protocolou um projeto de lei punitivo que visa cortar bolsas, suspender salários e identificar estudantes e professores em greve para compartilhamento de dados com forças policiais — uma medida apontada por juristas como inconstitucional e um ataque direto à liberdade de manifestação.
Para o ex-reitor da UFSCar, Newton Lima, o reitor da USP, Aluísio Segurado, “errou feio” e afrontou a autonomia ao entregar o campus à PM de Tarcísio, que utiliza métodos da ditadura, como o “corredor polonês” e gás lacrimogêneo contra estudantes pobres, enquanto falha miseravelmente no combate ao crime organizado no estado.
Próximos Passos
14/05 (10h): Nova rodada de negociação com o Cruesp.
20/05: Ato público em São Paulo em defesa da educação e contra a repressão.
Assembleias Permanentes: Unesp e Unicamp debatem a ampliação da greve iniciada pelos servidores técnico-administrativos em 11/05.
