A mais recente rodada da pesquisa Meio/Ideia traz uma novidade importante no xadrez político para a sucessão presidencial. No chamado “Cenário 4” — que simula uma disputa sem a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva —, o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), consolida-se como o principal herdeiro dos votos governistas, superando o senador Flávio Bolsonaro (PL) tanto no primeiro quanto no segundo turno.
A liderança de Haddad reflete o momento de forte oscilação negativa da oposição, impulsionada pelo recente desgaste do “Zero Um” após as repercussões envolvendo o caso do Banco Master, que afetaram sua interlocução com o eleitorado de centro-direita e de maior renda.
Primeiro Turno
Na simulação estimulada de primeiro turno sem o atual presidente, Fernando Haddad assume o topo da disputa. O ministro consegue absorver a maior parte do núcleo duro do eleitorado petista, enquanto a dispersão de votos na centro-direita reduz a força de arrancada do candidato do PL.
Os números do pelotão de frente mostram Haddad isolado na liderança com 36,5% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro com 32,7%. Candidatos de terceira via, como o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), e o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), aparecem bem atrás, capturando fatias do eleitorado conservador e moderado que demonstram resistência ao nome do clã Bolsonaro no atual momento.
Apenas para comparar simulações diferentes, no “cenário 1”, com os candidatos mais prováveis, Lula tem 38,5% e Flávio 31,5%
Segundo Turno
Para o segundo turno, a simulação do “cenário 9” trouxe apenas Haddad e Flávio Bolsonaro. Neste caso, a eliminação de outros candidatos da direita favoreceu o filho 01. O petista apareceu numericamente à frente com 42% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro logo atŕas, empatado tecnicamente, com 41,5%.
No cenário com Lula, o presidente tem 46,5% e Flávio Bolsonaro 41,4%.
A mudança na dinâmica eleitoral coincide com o aumento da rejeição de Flávio Bolsonaro junto a grupos considerados cruciais para o segundo turno, como o eleitorado jovem e a classe média alta. Por outro lado, a condução da agenda econômica confere a Haddad um canal de diálogo estável com setores produtivos, atenuando a resistência ao seu nome fora do espectro tradicional da esquerda.
A pesquisa Meio/Ideia foi realizada por telefone entre os dias 23 e 27 de maio de 2026, ouvindo 1.500 eleitores em todo o território nacional. O levantamento possui margem de erro de 2,5 pontos percentuais para mais ou para menos, com um intervalo de confiança de 95%, e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-02918/2026.
