Por Radar Democrático
Não se engane: o que está em jogo nos laboratórios de São Paulo não é apenas um punhado de vidrarias ou dados estatísticos. É o nosso direito de decidir o próprio destino. Quando um instituto de pesquisa e uma universidade pública definham, o que morre é a nossa capacidade de pensar o Brasil a partir das nossas próprias necessidades.
Para dialogar sobre essas e outras questões, será realizado no dia 7 de maio, às 14h, no Plenário da Câmara Municipal de Campinas, o debate público Sem ciência pública, quem perde é você: entenda o que está acontecendo em São Paulo, promovido pelo mandato da vereadora Guida Calixto, APqC e Radar Democrático.
O pensadores latino-americanos sobre Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS) sempre nos ensinaram que a ciência não é neutra. Ou ela serve para a emancipação de um povo, ou ela serve para a manutenção da nossa dependência. O que assistimos hoje em São Paulo — a asfixia do IAC, do ITAL, do Butantan e de nossas universidades — é um projeto de silenciamento da nossa inteligência soberana.
Protagonismo dos docentes da Unicamp
Nesse cenário, a Unicamp se ergue como um bastião fundamental, mas que também sente os tremores desse projeto de desmonte. A universidade não é feita apenas de prédios, mas de pessoas engajadas na transformação social. Por isso, a atuação da Adunicamp (Associação dos Docentes da Unicamp) torna-se central: a entidade não luta apenas por direitos trabalhistas, mas encabeça a resistência em defesa de uma ciência pública, gratuita e, acima de tudo, democrática. A Adunicamp entende que a autonomia universitária e a liberdade de pesquisa são os escudos que protegem o conhecimento contra as pressões do lucro imediato, garantindo que a produção acadêmica continue a serviço da classe trabalhadora e do desenvolvimento nacional.
Mandato Guida Calixto: uma ponte entre a ciência e a população
A defesa desse patrimônio exige mais do que denúncias acadêmicas; exige articulação política e ocupação dos espaços de poder. É aqui que o mandato da vereadora Guida Calixto (PT Campinas) assume um papel protagonista. Ao transformar a Câmara Municipal em um fórum de resistência, Guida Calixto reafirma que a ciência não pode ser uma “torre de marfim” isolada da sociedade. Seu mandato atua como o elo vital entre o saber produzido nos institutos e as necessidades reais da população, trazendo para o centro do debate legislativo a urgência de políticas públicas que blindem nossos centros de pesquisa contra o sucateamento e a privatização. Defender a ciência, para este mandato, é defender o pão na mesa e a saúde no posto.
Da autonomia tecnológica à dependência colonial
Por décadas, pesquisadores paulistas provaram que não precisamos importar todas as soluções do Norte Global. Desenvolvemos tecnologia agrícola para o nosso solo, vacinas para o nosso povo e segurança alimentar para as nossas mesas. Isso é o que pensadores do campo CTS chamariam de “autonomia tecnológica”.
No entanto, o processo de enfraquecimento que vem sendo denunciado pelo portal Radar Democrático aponta para uma direção perigosa: o retorno à condição de colônia exportadora de matéria-prima e importadora de inteligência. Quando se cortam investimentos e se impedem concursos, o Estado abre mão de sua capacidade de planejar o futuro, entregando as chaves do progresso a interesses privados que, muitas vezes, lucram com a nossa dependência.
A ciência como bem comum, não como mercadoria
A APqC (Associação dos Pesquisadores Científicos) alerta que a falta de reposição de pessoal e o sucateamento dos laboratórios são escolhas políticas. Trata-se de uma tentativa de transformar o conhecimento — que deveria ser um bem comum — em uma mercadoria. Sem pesquisa pública forte, perdemos o olhar sensível sobre a nossa biodiversidade (o papel vital do Instituto Florestal, por exemplo) e sobre a nossa subsistência (o Instituto de Pesca, por exemplo).
Um chamado à resistência democrática
Defender a ciência pública em São Paulo é um ato de soberania. Precisamos de uma ciência que dialogue com os movimentos sociais, com os trabalhadores e com as periferias. O debate na Câmara Municipal de Campinas é uma trincheira em defesa dessa dignidade. É o momento de reivindicarmos uma ciência que seja, de fato, para nós e por nós.
Sem ciência pública, quem perde é você: entenda o que está acontecendo em São Paulo
📅 Data: 7 de maio
🕒 Horário: 14h
📍 Local: Câmara Municipal de Campinas (Plenário)
Realização: Mandato da vereadora Guida Calixto, APqC e Radar Democrático.
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