Se a eleição fosse decidida apenas no asfalto da capital e no cinturão metropolitano, o cenário político paulista estaria em absoluto impasse. No entanto, os dados da pesquisa Real Time Big Data (SP-09734/2026) revelam uma realidade matemática implacável: o interior do estado não é apenas um detalhe geográfico, é o fiel da balança que, hoje, pende pesadamente para o atual governo do estado.
Para compreender o tamanho do desafio de Fernando Haddad (PT), é preciso olhar para a demografia eleitoral. De acordo com o TRE-SP, embora a Capital concentre 9,32 milhões de eleitores (27,4% do total), o estado possui cerca de 34 milhões de pessoas aptas a votar. Isso significa que mais de 70% do eleitorado está fora da cidade de São Paulo.
Mesmo considerando que a Região Metropolitana (39 cidades) concentra quase metade do eleitorado (cerca de 16 milhões), a outra metade — o “interior profundo” — funciona como uma fortaleza para Tarcísio de Freitas (Republicanos). A própria pesquisa ajusta o peso das regiões para refletir essa realidade, atribuindo ao interior um peso decisivo na soma final.
Onde o diálogo progressista encontra barreiras
A análise regional do levantamento mostra que Haddad enfrenta dificuldades para ultrapassar a barreira dos 25% a 28% em áreas vitais para o PIB e para a política estadual:
Oeste e Centro Paulista: São os redutos mais áridos para a oposição. Nestas regiões, Haddad registra seus piores índices, 23% e 25%, respectivamente. Em contrapartida, Tarcísio atinge sua maior musculatura, chegando a 57% de intenções de voto.
Macro Campinas: Região que detém um peso de 15% na amostra da pesquisa, mostra Tarcísio com 52% contra apenas 25% de Haddad.
Norte Paulista: Outro polo de resistência, onde o atual governador lidera com 55%, enquanto o candidato progressista estaciona nos 28%.
O impacto social invisível
Essa clivagem geográfica reflete uma desconexão entre as decisões tomadas na capital e a percepção de seus impactos nas cidades do interior. A hegemonia de Tarcísio no interior (onde ele vence em todas as sub-regiões pesquisadas) é construída sobre um discurso de eficiência que ainda não encontrou um contraponto analítico e combativo à altura nessas localidades.
Para que o projeto de justiça social e economia para as pessoas avance em São Paulo, não basta ao campo progressista segurar o empate técnico na Capital (39% a 38%) ou na Região Metropolitana (39% a 39%).
O enorme desafio de Haddad é furar a bolha da metrópole e dialogar com o eleitorado que, de acordo com o TRE-SP, habita a maioria dos municípios paulistas (80% das cidades do estado têm menos de 10 mil eleitores). Sem conquistar o interior, o campo progressista continuará assistindo, da capital, ao domínio de um projeto que privatiza o estado e não se preocupa com o bem-estar social do seu povo.
* O Radar Democrático publica artigos de opinião de autores convidados para estimular o debate.



