Início Notícias Leilão da Fazenda Remonta: mobilização cresce contra venda de área verde

Leilão da Fazenda Remonta: mobilização cresce contra venda de área verde

Foto: Adunicamp

Uma petição pública pela suspensão definitiva do leilão da Fazenda Remonta – Coudelaria, a maior área verde pública entre Campinas e Valinhos, já reuniu mais de 4.800 assinaturas. Lançado por entidades da sociedade civil e movimentos socioambientais com apoio da ADunicamp, o documento alerta que a venda do imóvel promovida pela Fundação Habitacional do Exército (FHE), remarcada para 31 de julho, representa um risco à preservação de um patrimônio ambiental estratégico para a região metropolitana.

O manifesto destaca que, apesar da recente declaração da Fazenda Remonta como Patrimônio Material Ambiental pelo município de Valinhos, essa medida não impede a alienação e o parcelamento da área. As organizações ressaltam que a fazenda é um dos mais importantes remanescentes de Mata Atlântica na região, funcionando como um corredor ecológico vital. A área protege nascentes, recarrega aquíferos, regula o microclima, reduz ilhas de calor, melhora a qualidade do ar e contribui significativamente para o controle de enchentes e a segurança hídrica.

Em um contexto de emergência climática, a preservação da Fazenda Remonta é vista como uma questão de justiça climática. O documento argumenta que a destruição de áreas naturais afeta desproporcionalmente as populações mais vulneráveis. As entidades enfatizam que o patrimônio público deve servir ao bem comum e não pode ser reduzido a um ativo financeiro, especialmente quando desempenha funções ambientais insubstituíveis. A venda da área contraria princípios constitucionais de proteção ambiental, e o texto reitera que não há compensação financeira ou empreendimento imobiliário capaz de substituir os serviços ecossistêmicos prestados pela fazenda.

Reivindicações e Chamado à Mobilização

Entre as principais reivindicações das entidades estão a suspensão definitiva do leilão, a interrupção de qualquer iniciativa de parcelamento ou ocupação imobiliária, e a destinação da Fazenda Remonta à conservação ambiental, pesquisa científica, educação ambiental, lazer público e proteção da biodiversidade. Propõem também a abertura de um amplo processo de diálogo entre os diferentes níveis de governo, universidades, comunidade científica e sociedade civil para buscar uma solução integral de preservação.

A Fazenda Remonta, fundada em 1938 para abrigar a Coudelaria de Campinas do Exército Brasileiro, possui mais de 400 hectares e é uma das últimas grandes áreas verdes contínuas entre Campinas e Valinhos. O leilão prevê a venda do imóvel por aproximadamente R$ 90 milhões. A área preserva fragmentos de Mata Atlântica e abriga dezenas de espécies da fauna e da flora. Inserida na Bacia Hidrográfica dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), a fazenda desempenha um papel crucial na proteção de sistemas de drenagem e na recarga de aquíferos. Estudo do Instituto de Pesquisas Ambientais do Estado de São Paulo identificou na área diversas espécies vegetais nativas, incluindo algumas ameaçadas, reforçando sua importância estratégica em uma região marcada pela expansão urbana.

NENHUM COMENTÁRIO

FAÇA UM COMENTÁRIO

Por favor, escreva seu comentário!
Por favor, escreva seu nome

Sair da versão mobile