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Lula lança pré-campanha de 2026 na Vila Euclides em São Bernardo do Campo, berço de sua liderança

Lula discursando em cima de uma mesa no no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo. Foto: Instituto Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva dá o pontapé inicial para a campanha eleitoral de 2026, escolhendo a Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, para seu primeiro ato político no domingo (16). O local, que sediou as históricas greves do ABC no final dos anos 1970, é de profunda relevância na trajetória política do atual presidente. O Estádio Municipal 1º de Maio, como é conhecido hoje, foi palco de grandes mobilizações trabalhistas durante a ditadura militar, catapultando o então dirigente sindical a uma das principais lideranças políticas do país. “Fico muito feliz, como presidente nacional do PT, em vivenciar esse momento, que é histórico”, declarou o presidente nacional do PT, Edinho Silva, à Rede PT de Comunicação.

A escolha da Vila Euclides para o ato de lançamento da pré-campanha de 2026 simboliza uma conexão direta entre as origens sindicais de Lula e sua atual disputa pela Presidência. O local remete ao período em que trabalhadores do ABC paulista desafiaram as restrições políticas do regime militar, exigindo melhores salários, direitos e liberdade de organização.

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Edinho Silva ressaltou que Lula representou um movimento de ruptura contra uma estrutura política que limitava a participação popular. “Lula representava um movimento que enfrentava a ditadura militar, enfrentava o sistema, derrotava uma concepção de organização política elitizada”, explicou. O dirigente petista enfatiza que a liderança de Lula abriu espaço para uma atuação política fundamentada nas bases sociais, rompendo barreiras que afastavam os setores populares dos centros de decisão.

“O Lula líder sindical foi a voz que enfrentou a ditadura militar e uma lógica em que só a elite podia falar o que pensava, só a elite podia se manifestar, só a elite podia fazer política”, afirmou Edinho, descrevendo o papel histórico de Lula como o “maior antissistema da história do país”.

Influência na formação de gerações de militantes

Edinho Silva também traçou um paralelo entre sua própria formação política e a projeção de Lula durante as mobilizações operárias. Ele compartilhou que, ainda adolescente em 1979 e morando na periferia de Araraquara, começou a questionar as desigualdades sociais.

“No meu bairro não tinha transporte público, não tinha um posto de saúde, não tinha creche, nem escola, nem pavimentação asfáltica”, recordou o dirigente.

Ele mencionou a dificuldade dos jovens da época, que precisavam colocar sacos plásticos nos tênis para ir à escola e evitar o lamaçal. Os discursos de Lula sobre direitos trabalhistas e desigualdade foram cruciais para moldar sua visão política. “Lula foi fundamental para a formação da minha consciência crítica, ouvindo o Lula falar de direito dos trabalhadores, de luta contra as injustiças. Aquilo para mim foi determinante para que eu começasse a vincular a minha militância na igreja com aquilo que o Lula propunha, e foi me despertando.” Essa identificação o levou a ingressar no PT em 1985, seis anos após as greves no ABC.

Diálogo com a juventude e o cenário internacional

Um dos objetivos estratégicos do ato é aproximar a trajetória de Lula das gerações que não vivenciaram a ditadura militar ou o processo de redemocratização. Edinho Silva reconhece o desafio de transmitir aos jovens de hoje a dimensão das restrições enfrentadas naquela época.

“Hoje a gente posta em redes sociais o que a gente quer, a gente escreve o que quer, muitas vezes exagera, porque muita gente escreve coisas que não deveria escrever, estimula ódio, violência, intolerância. Mas no final da década de 70, as pessoas eram presas por falarem o que elas pensavam. Elas eram presas por estarem enfrentando aquilo que era o sistema”, pontuou.

Compreender esse contexto é fundamental para dimensionar o impacto de um líder nordestino, sem formação universitária, que ascendeu em um sistema político elitizado. “Às vezes, o jovem hoje não consegue dimensionar o que significou um líder nordestino, líder dos trabalhadores, sem ter curso superior, só com curso técnico, esse cara se levantar contra o sistema. Ele enfrenta o sistema. Ele desafia o sistema. E começa ali uma luta para que os de baixo fossem ouvidos, para que os de baixo pudessem falar, para que os de baixo pudessem se manifestar, para que os de baixo pudessem ter direitos”, declarou.

Além da recuperação histórica, o PT busca apresentar Lula como um líder capaz de guiar o Brasil em um cenário internacional complexo, marcado por guerras e disputas comerciais, associando sua experiência à defesa da soberania nacional e ao planejamento para futuras gerações. “Um Brasil que seja soberano, um Brasil que não entregue as suas riquezas para nenhum país estrangeiro, um país que cuide da nossa juventude, que cuide da nossa natureza”, descreveu Edinho. Ele criticou a subordinação a interesses estrangeiros, contrastando a postura de um “adversário” que seria uma “marionete” aos interesses de Trump com a experiência e maturidade de Lula.

ato na Vila Euclides visa consolidar as três frentes da trajetória de Lula: a liderança operária, a redemocratização e a experiência presidencial, reafirmando o local como símbolo de origem, continuidade e projeto de futuro para o PT.

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