O confronto direto entre Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) no debate da Rede Globo nesta terça-feira escancarou o contraste entre a narrativa de eficiência defendida pela gestão estadual e os efeitos que a população paulista sente no dia a dia. Atravessado pelas diferenças entre capital e interior, o debate colocou os candidatos frente a frente em cinco áreas decisivas para o futuro do estado.
Acompanhe aqui os principais pontos (e divergências do debate):
Segurança Pública: indicadores em queda ou avanço do crime organizado?
O tema dividiu os candidatos entre os balanços estatísticos do governo e as denúncias de infiltração das facções criminosas.
Haddad cobrou respostas sobre a presença do crime organizado nas instituições: “O crime organizado, o PCC tá se infiltrando nas instituições. Você teve que afastar o comandante que você nomeou na Polícia Militar por recomendação do Ministério Público […] A primeira vez na história que isso acontece”. O petista defendeu a criação de uma Agência Antifacção integrada à Polícia e à Receita Federal.
Tarcísio rebateu com os números das operações policiais: “A gente ao longo desse tempo fez um trabalho muito sério na segurança pública e não é por outra razão que todos os indicadores criminais estão caindo […] A gente chegou aos menores indicadores da nossa história”.
Saúde Pública: a Tabela SUS Paulista contra o gargalo das filas
A demora na regulação de exames e procedimentos no SUS foi o centro do embate na saúde.
Haddad apontou o travamento no atendimento e criticou o sistema de regulação Cross: “A fila do SUS não anda… Tem um relatório do Tribunal de Contas da União […] que diz que determinados procedimentos de cirurgia em São Paulo, a fila aumentou 300%”.
Tarcísio defendeu a criação da Tabela SUS Paulista, que remunera melhor hospitais e Santas Casas: “Tínhamos em 2022, 570.000 pessoas esperando uma cirurgia eletiva. Hoje nós temos 156.000 pessoas… A conta equilibrou e com a conta equilibrada a gente conseguiu abrir mais leitos”.
Educação: o recuo no Ideb e as condições do magistério
A qualidade do ensino médio estadual trouxe à tona divergências sobre métodos pedagógicos e valorização dos professores.
Haddad destacou a queda de posições no índice nacional de educação e a precariedade do corpo docente: “O Ideb do ensino médio público paulista […] é o pior da história. Caiu da terceira posição para a 10ª posição no seu governo […] 47% dos professores não passaram por concurso na rede estadual”.
Tarcísio recorreu aos exames internacionais e à expansão do ensino técnico: “São Paulo deu um salto no Pisa […] Saímos da sexta posição para a segunda posição nacional […] Fizemos um concurso de 15.000 professores e a gente agora vai fazer concursos anuais”.
Privatizações e Transparência: concessões sob suspeita e incentivos fiscais
A transferência de serviços essenciais à iniciativa privada e a falta de clareza sobre isenções fiscais pautaram as críticas na área econômica.
Haddad cobrou transparência sobre a chamada “bolsa empresário” e criticou a piora nos serviços concedidos: “O Tribunal de Contas […] diz que você tem um orçamento secreto […] de benefícios fiscais […] E na Sabesp e nos trens privatizados, aumentou 27% as falhas”.
Tarcísio defendeu que as privatizações garantem investimentos que o Estado não faria sozinho: “Nós conseguimos diminuir 30% a quantidade de benefícios tributários […] E na Sabesp, nenhum estado vai investir R$ 70 bilhões até 2029 e nós vamos investir”.
Mobilidade Urbana: o custo do deslocamento nas periferias
A rotina de quem enfrenta longos trajetos e paga múltiplas tarifas na região metropolitana encerrou a pauta de infraestrutura.
Haddad defendeu a ampliação da integração tarifária como prioridade social: “Meu sonho é colocar todo esse cronograma de obras para rodar, mas fazer a integração do Bilhete Único Metropolitano em São Paulo e nas demais regiões metropolitanas do estado”.
Tarcísio argumentou que a medida exige cálculo financeiro e governança rígida: “A gente precisa de uma política tarifária integrada metropolitana […] Hoje a gente paga para manter o patamar de tarifa que nós temos 9 bilhões por ano de subsídio”.



