Pesquisadores identificaram evidências que apontam para uma nova camada estrutural no núcleo interno da Terra. A descoberta, baseada em análises de ondas sísmicas geradas por terremotos, sugere que essa região, mais profunda que o núcleo interno conhecido, possui características distintas de cristalinidade e orientação.
As ondas sísmicas, ao atravessarem o planeta, variam sua velocidade e caminho dependendo dos materiais que encontram. Ao estudar a forma como essas ondas se propagam através do centro da Terra, os sismologistas conseguiram inferir informações sobre a composição e a estrutura das regiões mais internas. As novas análises indicam que a parte mais central do núcleo interno pode ser composta por cristais de ferro alinhados de maneira diferente em comparação com a camada externa do núcleo interno. Essa diferença no alinhamento dos grãos de ferro é a principal evidência para a postulação de uma nova divisão interna.
A equipe de pesquisa utilizou dados de milhares de terremotos registrados globalmente, focando na análise de ondas sísmicas que foram refletidas ou refratadas nas profundezas da Terra. Essa abordagem permitiu “mapear” as variações de densidade e estrutura. A descoberta sugere que o núcleo interno, anteriormente considerado homogêneo em sua parte mais central, pode, na verdade, possuir uma subestrutura, apelidada provisoriamente de “o centro do centro” ou “núcleo interno mais profundo”. A orientação dos grãos de ferro nessa camada mais interna se diferencia da orientação observada na região logo acima dela.
A confirmação dessa nova camada teria implicações significativas para a compreensão dos processos geofísicos que moldam nosso planeta, incluindo a geração do campo magnético terrestre. O campo magnético, essencial para a vida na Terra, é gerado pelo movimento do ferro líquido no núcleo externo. Mudanças ou variações na estrutura do núcleo interno podem influenciar esses processos dinâmicos ao longo de escalas de tempo geológicas. Estudos futuros visam refinar a compreensão das propriedades físicas e da extensão exata dessa nova região.
