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Mariana Conti propõe mobilização popular para enfrentar o fascismo no interior de São Paulo

Mariana Conti. Foto: Alvaro Jr/Câmara de Campinas, divulgação

Mariana Conti, deputada estadual eleita pelo PSOL, emergiu como uma voz contundente na defesa da democracia e na linha de frente do combate à extrema direita, tanto em Campinas quanto no cenário mais amplo do interior paulista. Recém-eleita para a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) com mais de 126 mil votos, Mariana enfatiza a importância da militância organizada e da politização para enfrentar um projeto político que ela descreve como “mafioso” e “gangster”, articulado globalmente.

A trajetória de Mariana, socióloga e doutoranda em Ciência Política pela Unicamp, é marcada pela defesa intransigente de pautas progressistas. Em Campinas, onde foi vereadora por três mandatos, destacou-se por sua atuação na oposição, especialmente no episódio que levou à cassação do vereador Vini Oliveira (Cidadania).

Veja a entrevista de Mariana Conti na íntegra

Para Mariana Conti, a extrema direita é um fenômeno que transcende as fronteiras locais. Ela a descreve como “um campo político organizado e articulado internacionalmente. O fascismo é a ideologia, é o programa político dos bilionários que estão dominando o mundo”, que se manifesta pela militarização e utiliza “bodes expiatórios”, como imigrantes e pessoas LGBTQIA+, para desviar a atenção da concentração de riqueza e do capital financeiro.

Ela cita o “manifesto tecnofascista” de Peter Thiel, que prevê um cenário onde a democracia é incompatível com a desigualdade, e “uma grande parcela da população se torna dispensável. Então é um projeto de extermínio.”

Nesse contexto, as mulheres emergem como uma barreira potente. Mariana relembra a postura ofensiva de Bolsonaro em relação às mulheres, a quase paralisação do Disque 180 e a defesa de um assassino de crianças por Flávio Bolsonaro. “Para essa turma, as mulheres têm papel na medida em que elas são objeto de abuso sexual.”

No entanto, ela enfatiza: “as mulheres, tem sido no mundo todo a barreira de contenção contra o fascismo”. A deputada cita sua missão humanitária na Palestina como um exemplo de como “batalhar contra o Dário Saadi, contra a extrema direita em Campinas, passa por batalhar contra o centro do poder do capitalismo e do fascismo mundial”.

Militância, juventude e a resposta das ruas

A expressiva votação de Mariana – 126 mil votos, com 53 mil provenientes de cidades fora de Campinas – é, segundo ela, um resultado da “militância organizada” e da “formação e na organização política”. Embora reconheça o papel das redes sociais, a deputada adverte que “ao trafegar na rede social, nós estamos andando em terreno inimigo”. A estratégia para “hackear o algoritmo” reside no “engajamento, com engajamento das pessoas. Não tem outra forma. E para você engajar, você tem que politizar”.

Mariana destaca o papel da juventude como “protagonista desse processo”, impulsionando uma “rebelião, uma revolução antifascista” em várias partes do mundo. Para o cenário pós-eleitoral, diante da “possibilidade de uma nova tentativa de golpe”, a resposta é clara: “se tentarem atacar a democracia, é rua. Se tentarem atacar a Previdência, é rua. Se tentarem atacar as universidades, é rua. A nossa resposta é rua.”

Desafios no Interior de São Paulo

Diante do desafio de atuar na Alesp com o governador Tarcísio de Freitas eleito em primeiro turno, Mariana reconhece o “jogo duro” e a forte rede de clientelismo no interior do estado, onde prefeitos se utilizam do bolsonarismo. Ela exemplifica com a reforma da Previdência em Campinas, que aumenta a idade mínima de aposentadoria e penaliza mulheres e professores.

Como a primeira deputada do PSOL eleita pelo interior, Mariana defende uma postura “disruptiva” e elenca suas pautas para a ALESP: a resistência contra a instalação de data centers (menciona a Serra do Japi em Jundiaí como patrimônio ambiental único), a defesa das universidades, institutos federais e escolas públicas, a retomada da luta dos professores, a pauta feminista e o combate ao antifeminismo, e, crucialmente, o combate à especulação imobiliária, incluindo o controle do preço dos aluguéis e o enfrentamento aos imóveis vazios. O objetivo é “incentivar, estimular e apoiar essas resistências no interior das cidades de São Paulo”.

A deputada enfatiza que a comunicação será central para “furar a blindagem” da política estadual. Para Mariana, a única forma de derrotar a extrema direita é “mudando concretamente a vida do povo”, retomando o programa da esquerda e enfrentando o capital financeiro, a especulação imobiliária e o agronegócio. “Precisamos ter posições firmes, precisamos ter posição que apresente o nosso programa.”

Atuação em Campinas

Ela estende suas críticas à administração municipal de Campinas, apontando a confluência de projetos do prefeito Dário Saad (Republicanos) com o bolsonarismo. “É pegar carona com esse fenômeno do bolsonarismo”, afirma Mariana, criticando a destruição de políticas públicas, o avanço da especulação imobiliária e a “destruição ambiental” promovida, por exemplo, pela instalação de grandes data centers em Campinas.

Ela detalha que esses projetos, como a instalação de uma big tech inglesa, “é um impacto ambiental enorme, que vai aumentar a sua conta de luz, porque é um consumo de luz enorme, é o consumo de água, é ruído, e é domínio de território”. Em contrapartida, o prefeito concede 15 anos de isenção de IPTU, enquanto a população enfrenta aumentos.

“Dário Saadi assumir que é bolsonarista, é também para se revelar, porque tem gente que fica, ah, não, ele não é igual, não, é assim, é bolsonarista, e é tão direitoso e tão inimigo do conjunto dos trabalhadores quanto o Tarcísio e quanto o Flávio Bolsonaro.”

Cassação de vereador

No episódio de cassação do vereador Vini Oliveira, Mariana o descreve como um dos “influencers que ganham espaço nas redes sociais”, cuja tática era “expor os trabalhadores, quem está embaixo, na ponta, proteger os de cima e dessa forma mostrar, criar essa face mentirosa de uma certa radicalidade.”

A denúncia de Mariana revelou um “vídeo horroroso, um vídeo mafioso” de Oliveira, onde um representante de uma empresa de transporte expressava a intenção de “dominar economicamente a cidade de Campinas”. Para Mariana, a cassação foi exemplar: “é assim que a gente enfrenta os fascistas, é assim que a gente enfrenta esses mafiosos é assim que a gente enfrenta a extrema direita então nós conseguimos cortar no ninho”.

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