A Argentina, sob a gestão do presidente Javier Milei, enfrenta um cenário de profunda crise econômica, marcada por 30 meses consecutivos de queda no consumo e um alarmante número de fechamento de estabelecimentos comerciais. Os dados recentes revelam um panorama desolador para a economia portenha, contrastando com o crescimento observado em algumas regiões brasileiras, especialmente aquelas próximas à fronteira.
A consultoria Scentia aponta uma retração interanual de 3,2% nas vendas de produtos básicos, confirmando uma tendência persistente. Desde janeiro de 2024, apenas três meses registraram aumento no consumo, com uma queda generalizada nos demais. A crise se agrava nos pequenos comércios, onde as vendas recuaram um ponto percentual a mais em comparação com as grandes redes varejistas, indicando um impacto desproporcional nos negócios de menor porte.
Milhares de empresas fecham as portas
Dados oficiais indicam que mais de 32 mil empresas fecharam suas portas na Argentina desde o início do governo Milei, em dezembro de 2023. Este número abrange desde pequenos negócios familiares até multinacionais e grandes redes varejistas, que anunciaram reestruturações e vendas de ativos. Fatores como demissões em massa e o aumento do desemprego são apontados como as principais causas dessa derrocada econômica.
O governo argentino prepara um novo plano para demitir mais 20 mil servidores públicos, somando-se aos 77 mil que já perderam seus empregos. Um plano de demissão voluntária, com previsão de proibição de retorno ao serviço público por oito anos para os aderentes, visa reduzir os gastos estatais. Segundo a Agência Brasil, o fechamento de empresas resultou na perda de aproximadamente 245 mil empregos formais.
A crise argentina e o crescimento econômico brasileiro têm levado a uma migração de negócios. Na cidade de São Miguel do Oeste, Santa Catarina, localizada na fronteira com a Argentina, houve um crescimento de 39% no período, refletindo um cenário econômico mais favorável no lado brasileiro.



