O governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos), em São Paulo, tem sido alvo de denúncias e críticas em diversas frentes, que vão desde questões de direitos humanos e segurança pública até supostas irregularidades administrativas. As contestações variam entre ações judiciais formais, representações em órgãos internacionais e críticas de movimentos sociais.
A letalidade policial é um dos temas mais sensíveis. A gestão enfrentou forte repercussão internacional devido a operações na Baixada Santista (como a Operação Escudo e a Operação Verão).
Em 2024, entidades de direitos humanos e movimentos sociais denunciaram o governador ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra. A acusação foca na “escalada da letalidade policial” e em supostas violações sistemáticas durante operações em comunidades.
O número de mortes pela polícia militar cresceu pelo terceiro ano seguido no estado de São Paulo durante a gestão de Tarcísio. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o ano de 2025 marcou o ápice dos casos, com 834 mortes por policiais civis e militares. Desses, 700 foram realizados por agentes de segurança em serviço.
Tarcísio foi criticado inicialmente por falas como “tô nem aí” em relação às denúncias internacionais. No entanto, no final de 2024, após novos casos de violência policial, o governador mudou o tom, admitindo que seu discurso poderia influenciar o comportamento das tropas e voltando a defender o uso de câmeras corporais, que ele havia criticado na campanha.
Uma fixação do governador Tarcísio são as privatizações dos serviços públicos O plano de desestatização (Sabesp, Metrô e CPTM) é o principal campo de batalha com sindicatos e partidos de oposição.
Um mês após a conclusão da venda da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), o governo Tarcísio injetou quase R$ 3 bilhões em Fundos Municipais de Saneamento Básico (FMSB) de prefeituras. O valor corresponde a cinco anos de arrecadação. Os adiantamentos indicam uso político dos fundos municipais e que os repasses foram feitos sem transparência.
Existem representações no Ministério Público que investigam se houve um sucateamento deliberado de serviços, como o Poupatempo, para justificar a necessidade de privatização. Um verdadeiro desmonte.
Sindicatos e parlamentares de oposição frequentemente acionam a justiça alegando falta de transparência nos estudos de viabilidade e riscos de aumento de tarifas para a população.
Recentemente, a gestão Tarcísio foi pressionada a dar explicações sobre um esquema de corrupção envolvendo auditores-fiscais da Secretaria da Fazenda.
Já o Ministério Público investigou fraudes de cerca de R$ 1 bilhão relacionadas a créditos de ICMS. Embora a denúncia recaia sobre servidores de carreira, a oposição cobra do governo uma fiscalização mais rigorosa e transparência sobre o alcance da corrupção dentro do aparato estatal.
O governador foi alvo de pedidos de inquérito por sua participação em atos de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, com parlamentares alegando que suas falas contra o STF poderiam configurar incitação à desobediência ou obstrução de justiça. No entanto, muitos desses pedidos foram arquivados por falta de provas de crime direto.
O Ministério Público de São Paulo instaurou um inquérito para apurar a venda de 350 hectares de uma fazenda de pesquisa em Pindamonhangaba (SP). A investigação busca esclarecer as circunstâncias da transação e seu impacto no patrimônio científico do estado. A suspeita é de que a fazenda foi vendida pela metade do preço de mercado ao presidente da Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo), Paulo Skaf.
O governo do estado de São Paulo tem concedido benefícios fiscais do ICMS a empresas incluídas no Cadastro de Empregadores que tenham submetido trabalhadores a condições análogas à de escravo, a chamada “Lista Suja” do Trabalho Escravo, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Críticos e deputados de oposição na Alesp (Assembleia Legislativa de SP) argumentam que Tarcísio utiliza a máquina pública e o orçamento do estado para se projetar nacionalmente visando as eleições de 2026, negligenciando problemas internos do estado.
O governador Tarcísio de Freitas é um grande colecionador de denúncias. Valeria a pena investir numa gestão desse perfil mais uma vez para o governo do Estado de São Paulo?


