terça-feira, 20/01/2026
Notícias que São Paulo precisa
Cenas de horror

A segurança pública do Tarcísio “nem aí”: mais casos espantosos de violência policial em SP

Governador tenta isolar ocorrências de violência policial, mas é o principal responsável por elas

Cena do crime 1: um homem corre e recebe tiros pelas costas. Seu corpo e quatro pacotes de sabão ficam espalhados pelo chão.

Cena do crime 2: policias abordam um mototáxi. Um deles arremessa o homem de cima de uma ponte . Mais tarde, um corpo de homem é visto boiando no rio entre São Paulo e Diadema.

Receba nossas notícias

Será que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) continua não estando “nem aí” para as ações da polícia que comanda? Continua nem aí para o fato de que a PM paulista aparece mais no noticiário pelos crimes que comete do que pelos crimes de que deveria combater?

Em março, o governador foi denunciado no Conselho de Direitos Humanos da ONU por entidades brasileiras devido à escalada da violência policial em São Paulo. A resposta do governador foi o deboche.

Nove meses depois, os relatos de violência policial continuam aparecendo, com casos escabrosos como os que vieram à tona nesta semana.

Sob o comando do ex-policial da Rota e atual secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, fatos de horror semelhante acontecem aos montes. Como o do menino Ryan, de 4 anos, morto durante uma operação policial em Santos enquanto brincava perto de casa. No dia seguinte, a PM foi ao velório, intimidou pessoas e tentou impedir o cortejo fúnebre com o corpo do garoto. O pai dele havia sido assassinado pela polícia em fevereiro deste ano durante a operação verão na Baixada Santista. Aliás, a Operação Verão e a Escudo, realizadas neste ano e no ano passado na Baixada deixaram um saldo de 84 mortes.

Desde o início da gestão Tarcísio, as polícias paulistas mataram um adolescente a cada nove dias. E os casos de morte provocadas por policiais subiram assustadoramente no estado. Em 2022, antes de Tarcísio, as polícias (militar e civil) mataram 176 pessoas. Mas em 2024, somente até agosto, foram 441 mortes.

O programa de uso de câmeras corporais nas fardas dos policiais militares é constantemente ameaçado. O governo não investe o que devia no programa, além de escolher comprar câmeras que não gravam ininterruptamente. O próprio policial deve ligar a câmera que poderá mostrá-lo cometendo um crime.

As ocorrências desta semana não são, portanto, casos isolados. São fruto de uma política de segurança que estimula as ações violentas e o extermínio de suspeitos, sem direito à defesa nem a julgamento. Um verdadeiro tribunal de justiçamento, com farda e soldo garantidos pelo estado.

Hoje Tarcísio publicou em suas redes que quem atira pelas costas ou joga uma pessoa de uma ponte “não está à altura de usar essa farda [da PM]”.

E aquele que há nove meses dizia que não está nem aí para a violência policial e que trata a barbárie paulista como fatos isolados, está à altura de ser chefe desta PM fardada?

Radar Democrático
Radar Democráticohttp://radardemocratico.com.br
Radar Democrático é um portal de notícias focado no estado de São Paulo. Valorizamos a democracia, a pluralidade de ideia, a diversidade étnica e cultural, e os direitos humanos. Acreditamos na mobilização e organização da população como fundamentais para as transformações sociais urgentes não só em nosso estado, mas no país.

FAÇA UM COMENTÁRIO

Por favor, escreva seu comentário!
Por favor, escreva seu nome

Últimas notícias

Ataque à soberania da Venezuela e direitos das mulheres: por que o feminismo é anti-imperialista

Em um cenário de ofensiva imperialista e avanço autoritário,...

A batalha pelo espaço na direita: o papel de Tarcísio e o limite eleitoral de Flávio Bolsonaro

Enquanto Flávio Bolsonaro luta para consolidar sua pré-candidatura à...

A “novíssima informalidade” e a centralidade da precarização na economia de plataformas

Debate no 19º Seminário Interdisciplinar do Observatório do Trabalho...

Água como bem comum vs. gestão institucional: a política da crise hídrica no Cantareira e a resposta política da sociedade

A seca histórica no Sistema Cantareira expõe não apenas...

Entre Centrão, MDB e PT: o xadrez silencioso que pode redesenhar a eleição de 2026 em São Paulo

Por trás de anúncios e articulações superficiais, o jogo...

Topics

spot_img

Related Articles