Investigação Financeira

Banco de Edir Macedo: fraude milionária em transferências até com carros roubados

Revelações expõem maquiagem de R$ 480 milhões em calotes e irregularidades contábeis

O Banco Digimais, de propriedade do bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal, realizou manobras irregulares para ocultar prejuízos financeiros expressivos em seus balanços. A instituição, segundo reportagem do Estadão, transferiu centenas de milhões de reais em créditos de difícil recuperação, incluindo financiamentos de carros roubados, para fundos de investimentos, evitando assim registrar as perdas em suas demonstrações contábeis oficiais e apresentando uma falsa saúde financeira ao Banco Central.

O Banco Digimais, anteriormente conhecido como Banco Renner e adquirido pela holding de Edir Macedo em 2020, tem como foco o financiamento de veículos usados e crédito consignado. O jornal O Estado de S. Paulo obteve e analisou documentos que detalham como o banco transferiu centenas de milhões de reais em dívidas de difícil recuperação, apelidada de “carteira podre”, para fundos de investimento. Essa prática permitiu que a instituição evitasse registrar prejuízos em suas demonstrações oficiais.

O segmento de financiamento de veículos usados era o principal negócio do Digimais, representando 94% de suas operações em 2021. O banco, em busca de altos lucros, financiava automóveis de baixo valor para clientes com restrições de crédito, cobrando taxas de juros abusivas. A falta de rigor na concessão de crédito levou a um volume crítico de processos judiciais de compradores que se tornaram vítimas de fraudes. Casos como o de Rafael Cascardi, que adquiriu um carro com placa clonada e chassi de veículo roubado, e Rodrigo Menezes Martins, que comprou um Corsa com defeitos e descobriu monitoramento ilegal, ilustram as irregularidades.

Repasse da carteira de financiamento problemática

Em vez de arcar com os prejuízos de contratos fraudulentos e decisões judiciais desfavoráveis, o Banco Digimais repassou esses ativos problemáticos. Em um dos casos, uma carteira de financiamentos contendo carros roubados foi transferida para a Hatikvah Participações, empresa do pastor Tiago Gouvêa. A transação, no valor nominal de R$ 255 milhões, envolvia a cessão de participações em um fundo imobiliário em troca da “carteira podre”. Essa manobra transferiu para a Hatikvah a responsabilidade de lidar com os consumidores lesados. Gouvêa alegou ter sofrido prejuízo com o descumprimento de um aporte prometido pelo Digimais.

O esquema para maquiar os prejuízos envolveu a utilização de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs). O banco reunia contratos de financiamento com atrasos críticos e os transferia para fundos, nos quais ele próprio era o principal cotista. Essa prática, conhecida no mercado financeiro como “Zé com Zé”, permite que a instituição atue nas duas pontas: como vendedora dos créditos e dona do fundo que os adquire. Através desse mecanismo, o banco retirou de seu balanço imediato pelo menos R$ 480 milhões em créditos vencidos, declarando um lucro líquido de R$ 31 milhões em 2025, omitindo o rombo real.

As manobras contábeis geraram advertências formais de empresas de auditoria independente. Os auditores apontaram a compra de cotas do Fundo Hermon em condições não usuais de mercado e a impossibilidade de emitir pareceres conclusivos sobre R$ 3 bilhões investidos em fundos, devido à retenção de documentos comprobatórios essenciais. A Polícia Federal está conduzindo um inquérito para apurar as supostas fraudes financeiras na gestão da entidade ligada a Edir Macedo. O banco está em processo de negociação para venda e teve seu controle acionário disputado em leilão. Procurados, a administração do Banco Digimais e a assessoria da Igreja Universal não se manifestaram.

Fonte:
Tvtnews
https://tvtnews.com.br/banco-edir-macedo-passou-carteira-com-carro-roubado-para-ocultar-prejuizos/
Radar Democrático
Radar Democráticohttp://radardemocratico.com.br
Radar Democrático é um portal de notícias focado no estado de São Paulo. Valorizamos a democracia, a pluralidade de ideia, a diversidade étnica e cultural, e os direitos humanos. Acreditamos na mobilização e organização da população como fundamentais para as transformações sociais urgentes não só em nosso estado, mas no país.

FAÇA UM COMENTÁRIO

Por favor, escreva seu comentário!
Por favor, escreva seu nome

Últimas notícias

Fim da Escala 6×1: vitória de Lula e crise no bolsonarismo na reta final da campanha

A poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais,...

Delegado Olim cobra explicações de Eduarda Campopiano sobre feminicídio

O Delegado Olim (PP), deputado estadual reeleito, afirmou que...

tejkjkejl

Telma de Souza: a coragem de governar e as raízes que Santos não apaga

Por Cidinha SantosHá nomes que não cabem apenas nas...

Campineiros vão às ruas: fé e justiça social caminham juntas!

Por Rogério Bezerra da Silva Campinas é feita de gente...

Topics

Fim da Escala 6×1: vitória de Lula e crise no bolsonarismo na reta final da campanha

A poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais,...

Delegado Olim cobra explicações de Eduarda Campopiano sobre feminicídio

O Delegado Olim (PP), deputado estadual reeleito, afirmou que...

tejkjkejl

Telma de Souza: a coragem de governar e as raízes que Santos não apaga

Por Cidinha SantosHá nomes que não cabem apenas nas...

Campineiros vão às ruas: fé e justiça social caminham juntas!

Por Rogério Bezerra da Silva Campinas é feita de gente...

Notas de conjuntura política, por Luis Fernando Vitagliano

Por Luis Fernando VitaglianoSexta-feira, 09 de outubro de 2026. Faltam...

Análise: fatores que levam eleitores à direita

Por Norian SegattoNa segunda-feira, após o tsunami eleitoral, passei...
Fenae 55 anosFenae 55 anosFenae 55 anosFenae 55 anos

Related Articles