Com 46% das intenções de voto, o atual governador Tarcísio de Freitas ancora seu projeto político nos setores de maior renda e no “interior profundo”, consolidando uma barreira geográfica e social contra o campo progressista.
Os números da nova pesquisa Real Time Big Data revelam que a vantagem de Tarcísio de Freitas (Republicanos) na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes não é uniforme, mas sim fruto de uma concentração estratégica de forças. Enquanto a Capital e a Região Metropolitana vivem um cenário de equilíbrio, com ligeira vantagem para Fernando Haddad (PT), o governador constrói sua liderança em dois pilares principais: as classes mais abastadas e o domínio quase absoluto das regiões agrícolas e industriais do interior.
O dado que melhor explica a sustentação do atual projeto estadual é o de renda. Tarcísio atinge seu ápice de apoio entre os eleitores que ganham mais de cinco salários mínimos, grupo no qual detém 56% das intenções de voto. Essa clivagem social é reforçada pela escolaridade: o governador tem seu melhor desempenho entre eleitores com ensino superior (50%) e entre o público masculino (49%).
O interior como fiel da balança
Se na Capital a disputa é voto a voto (39% para Haddad contra 38% de Tarcísio), o interior paulista funciona como uma muralha pró-governo. Tarcísio domina com folga as regiões que concentram a força do agronegócio e de polos industriais:
- Centro e Oeste Paulista: Onde o governador atinge seu teto de 57%.
- Norte Paulista: Reduto de 55% de apoio.
- Macro Campinas e Macro Sorocaba: Ambas com 52% de intenções de voto.
Essa hegemonia regional é decisiva quando cruzada com os dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP). Embora a capital seja o maior colégio eleitoral individual, com 9,32 milhões de eleitores, o interior e as demais regiões respondem por mais de 70% do eleitorado do estado. É nesse “interior profundo” que o discurso da atual gestão encontra menor resistência.
O trunfo da aprovação e o voto religioso
Além do fator geográfico e econômico, Tarcísio se beneficia de uma aprovação de governo de 62%. Esse índice é inflado pelo eleitorado evangélico, segmento no qual o governador atinge 50% de preferência, contra apenas 26% de Haddad, seu principal adversário.
O perfil do eleitor que coloca Tarcísio à frente é, portanto, o de um homem, acima de 60 anos (onde ele tem 55% de apoio), morador do interior e de alta renda.



