A Bancada Feminista do PSOL na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) apresentou uma notícia-crime ao Ministério Público Federal (MPF) buscando investigar o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB). A ação questiona o credenciamento do banco Digimais, pertencente ao bispo Edir Macedo, para a oferta de empréstimos consignados a servidores públicos. As informações são da Folha de S. Paulo.
O Digimais havia solicitado o credenciamento ao governo do estado, mas o pedido foi negado pela Secretaria da Fazenda. Meses depois, o governador Tarcísio mudou a atribuição de conceder o credenciamento à Secretaria de Gestão, que reavaliou o pedido e autorizou, mesmo diante de inúmeros problemas apresentados pelo banco.
A representação solicita que a Operação Miragem, que já investiga o banco por suspeitas de manipulação em demonstrativos contábeis e ocultação de sua situação financeira, seja ampliada para apurar o possível conhecimento ou participação das administrações estaduais e municipais no processo.
A representação do PSOL argumenta que é essencial investigar os elementos técnicos que fundamentaram a parceria entre o banco Digimais e as gestões de Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes. A bancada busca esclarecer os motivos e critérios que levaram ao credenciamento da instituição financeira para operar com servidores públicos.
A gestão de Tarcísio de Freitas informou que a participação de instituições financeiras na oferta de empréstimos consignados ocorre mediante credenciamento público, seguindo regulamentação de 2014. A administração estadual destacou que atualmente mais de cem instituições estão habilitadas para o serviço, e que o Digimais representa apenas 1,57% do total de operações de consignado no estado.
Por sua vez, a prefeitura de São Paulo, sob a gestão de Ricardo Nunes, declarou que o Digimais está entre as 57 instituições financeiras autorizadas a oferecer crédito consignado aos servidores municipais, sendo responsável por menos de 3% dos empréstimos consignados em folha de pagamento.



