STF condena réus por morte de Marielle Franco; irmãos Brazão pegam 76 anos

Após julgamento histórico, STF responsabiliza mandantes e executores pela morte da vereadora e do motorista Anderson Gomes

O Supremo Tribunal Federal (STF) condenou por unanimidade nesta quarta-feira (25) os cinco réus acusados de envolvimento na execução da vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes. Entre os condenados estão os irmãos Chiquinho Brazão, ex-deputado federal, e Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, apontados pela Polícia Federal como os mandantes do crime.

Ministros do STF durante o julgamento. Foto: Rosinei Coutinho / STF
Ministros do STF durante o julgamento. Foto: Rosinei Coutinho / STF

Os irmãos Brazão foram condenados por duplo homicídio, homicídio tentado e organização criminosa armada. A pena imposta a cada um foi de 76 anos e três meses de prisão em regime fechado, além de 200 dias-multa, totalizando cerca de R$ 640 mil.

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Ronald Paulo Alves Pereira, major da Polícia Militar, foi condenado por duplo homicídio e homicídio tentado, recebendo uma pena de 56 anos de prisão. Robson Calixto Fonseca, policial militar e ex-assessor de Domingos Brazão, foi condenado por organização criminosa, com uma pena de 9 anos de prisão e 200 dias-multa (cerca de R$ 200 mil). Rivaldo Barbosa de Araújo Júnior, delegado e ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, foi condenado por obstrução à justiça e corrupção passiva, sentenciado a 18 anos de prisão e 360 dias-multa (cerca de R$ 550 mil).

Familiares de Marielle Franco durante o julgamento no STF. Foto: Gustavo Moreno / STF
Familiares de Marielle Franco durante o julgamento no STF. Foto: Gustavo Moreno / STF
Os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão são suspeitos de planejarem o assassinato de Marielle e Anderson com a milícia do RJ. | Fotos: Alerj / Montagem Brasil de Fato

Fundamentação da Decisão

O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, destacou que as provas são “harmônicas e convergentes”, demonstrando a prática de atividades como extorsões e grilagem pela organização criminosa liderada pelos réus. Segundo Moraes, o objetivo era a manutenção de redutos eleitorais e o enriquecimento ilícito. Ele rebateu o argumento da defesa de que a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) se baseou exclusivamente na delação de Ronnie Lessa, afirmando que os dados da delação foram corroborados por testemunhas e provas técnicas.

O relator enfatizou que o assassinato teve uma clara motivação política e foi executado por estruturas de milícia.

“A motivação é o afastamento de oposição política”, disse Moraes.

Segundo ele, a ideia dos executores era fazer a “manutenção” dos negócios da milícia de loteamento clandestino. Para o ministro, a figura de Marielle Franco e o simbolismo do crime têm relação com o fato de ela ser uma mulher preta, pobre, que estava confrontando os interesses de milicianos.

Votos dos Ministros

O ministro Cristiano Zanin seguiu o voto de Moraes integralmente, com relação ao crime de organização criminosa cometido pelos irmãos Brazão, Ronald Paulo Alves Pereira e Robson Calixto Fonseca. Ele também corroborou com Moraes na condenação pelos crimes de duplo homicídio qualificado e de tentativa de homicídio cometidos pelos Brazão e dos policiais. No caso de Rivaldo, ele pediu a condenação pelos crimes de obstrução de justiça e pelo crime de corrupção.

“A impunidade histórica de grupos de milícias serviu de combustível para a escalada de violência que culminou para o assassinato de uma parlamentar eleita”, declarou Zanin.

A ministra Cármen Lúcia disse, em seu voto que condena os irmãos Brazão, que a organização armada liderada pelos irmãos configura “um caso típico de corrupção sistêmica”. Ela pontuou que há uma série de práticas que “vão desde a grilagem de terras, exploração de mercado imobiliário irregular, domínio de controle territorial, controle eleitoral”. A ministra também destacou que “tinha-se a questão de ser uma mulher, uma mulher negra”.

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