O governo Tarcísio está enviando trens novos da CPTM para a iniciativa privada e deixando os trens mais antigos para a empresa estatal. O deputado estadual Rômulo Fernandes (PT) quer entender porque o governo está beneficiando a empresa privada e prejudicando os trabalhos da estatal.
A denúncia da transferência dos trens foi feita por reportagem de Adamo Bazani, do site especializado Diário do Transporte. E a partir dela o deputado protocolou na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) um requerimento de informação (128/2026) cobrando explicações da gestão de Tarcísio de Freitas sobre a alocação de trens mais antigos na Linha 10-Turquesa da CPTM e a transferência de composições mais novas para a Trivia Trens, parte do Grupo Comporte Participações S.A.
A medida ocorre em meio ao descontentamento dos usuários, que notaram a diferença na qualidade do serviço.
Repercussão e Questionamentos
A iniciativa do questionamento partiu do deputado Rômulo Cesar Fernandes, em resposta à reportagem de Adamo Bazani, editor-chefe do Diário do Transporte. A denúncia revelou que trens fabricados entre 2008 e 2010 estão sendo inseridos na Linha 10-Turquesa, enquanto composições mais novas, incluindo as fabricadas em 2020, são destinadas ao Grupo Comporte.
O deputado Rômulo Cesar Fernandes questiona os critérios utilizados para transferir os modelos mais novos, adquiridos com recursos públicos, para a Trivia, enquanto a linha estatal recebe os trens mais antigos. O requerimento foi encaminhado ao secretário de Parcerias em Investimentos do Estado de São Paulo, Rafael Antonio Cren Benini, buscando esclarecimentos sobre o planejamento e a diretriz que envolvem o remanejamento de frota da CPTM entre diferentes linhas.
Impacto para os passageiros
Os usuários da Linha 10-Turquesa têm notado a diferença nas composições, que agora apresentam características menos confortáveis. Entre as principais mudanças estão a ausência do “gangway” (passagem livre entre os carros), espaço interno reduzido, visores com adesivos colados em vez de luzes indicativas das estações, interior mais escuro e iluminação menos eficiente.
Em depoimentos coletados pelo Diário do Transporte, passageiros expressaram seu descontentamento. O autônomo José Simon Pereira relatou: “Percebi a diferença sim. O outro [modelo de trem] era melhor. Por exemplo, tava lotado um vagão [carro], mas o outro tava mais vazio, a gente ia pra ele. Agora, entrou ficou”. A estudante de fisioterapia Amanda Piccini também reclamou: “Esse é velho né? Escuro, parece até mais sujo. Ficou pior. A linha é ruim, muito lotada, demorada, lenta. A única coisa boa que tinha era o trem [a frota], agora piorou”.
Resposta da CPTM
Em nota enviada ao Diário do Transporte, a CPTM afirmou que toda a frota está em perfeitas condições de uso, segurança e conforto para os passageiros. A companhia informou que a realocação dos trens nas Linhas 10-Turquesa, 11-Coral e 12-Safira está de acordo com o contrato de concessão dessas linhas. A CPTM esclareceu ainda que a vida útil de um trem gira em torno de 35 anos, com as devidas manutenções, e que a reorganização da frota garante a eficiência operacional e o cumprimento das diretrizes da concessão.
A previsão é que até 20 de maio de 2026 a transferência seja concluída, com a operação dos trens das séries 7000, 7500 e 2070 na Linha 10-Turquesa. As composições das séries 8000 e 8500 serão destinadas às Linhas 11-Coral e 12-Safira.
