Política Brasileira

Banco Master e as conexões políticas de Tarcísio de Freitas

Escândalo do Banco Master respinga em Tarcísio, que se afasta do núcleo bolsonarista

O Banco Master e as conexões políticas com Tarcísio de Freitas

A crise financeira e política envolvendo a quebra e a liquidação do Banco Master tornou-se um dos temas mais complexos e sensíveis dos bastidores políticos recentes no Brasil.

O caso, investigado pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, gerou fortes repercussões que conectam diretamente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e, por tabela, trazem ruído à gestão e à pré-campanha de reeleição do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

O centro da crise política reside na relação entre o senador Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A instituição financeira sofreu liquidação após a descoberta de uma fraude bilionária no sistema financeiro nacional.

O escândalo ganhou contornos graves após o vazamento de áudios em que o senador cobra dinheiro e posicionamentos de Vorcaro. Diante da repercussão, Flávio Bolsonaro veio a público confirmar que manteve reuniões com o banqueiro, inclusive em 2025, logo após o empresário ter sido preso pela primeira vez.

Segundo declarações do próprio senador e confirmadas publicamente pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, em entrevista à GloboNews, os encontros e os repasses financeiros de Vorcaro visavam patrocinar a produção de um filme/cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, intitulado Dark Horse.

De acordo com investigações e relatos da imprensa (como o portal G1 e a revista Veja), o Banco Master teria financiado cerca de 90% dos custos da produção antes de interromper os pagamentos em maio de 2025 devido aos avanços policiais.

O desgaste gerou uma crise interna na pré-campanha de Flávio, culminando na demissão de assessores-chave, como o ex-policial e operador de marketing Marcello Lopes (conhecido como “Marcelão”), expondo divisões profundas no núcleo político do PL.

Embora o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, não seja alvo direto das investigações de corrupção do banco, a crise o atinge por meio de conexões de campanha e de decisões administrativas de seu governo, gerando desconforto em seu círculo de aliados.

Durante a campanha eleitoral de 2022, Tarcísio recebeu uma doação de R$ 2 milhões de Fabiano Zettel. Zettel é pastor, empresário, cunhado e apontado como braço direito de Daniel Vorcaro na operação de fundos do conglomerado Master (como a Moriah Asset). Essa conexão financeira é o principal argumento utilizado pela oposição, liderada pelo PT em São Paulo, para tentar vincular a imagem do governador ao escândalo.

Outro ponto de desgaste envolve a privatização da Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia), vendida pelo governo paulista por R$ 1,04 bilhão ao Fundo Phoenix. Após a desestatização, a empresa realizou uma aplicação de R$ 160 milhões em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do Letsbank, uma instituição digital pertencente ao mesmo conglomerado do Banco Master.

De acordo com relatos colhidos pelo jornal O Globo, Tarcísio de Freitas confidenciou a interlocutores profunda irritação com a “gestão de crise” feita por Flávio Bolsonaro. O governador atua como um dos principais coordenadores políticos do campo de direita e teme que os desdobramentos policiais e os áudios vazados contaminem o debate eleitoral paulista e afetem sua avaliação administrativa.


* O Radar Democrático publica artigos de opinião de autores convidados para estimular o debate.

Mário Camargo
Mário Camargo
Jornalista há mais de 30 anos, com especializações em Gestão da Comunicação em Mídias Digitais e em Comunicação Popular e Comunitária. Foi diretor de comunicação nas prefeituras de Campinas (SP) e Maringá (PR). Trabalhou ainda na comunicação da Petrobras.

FAÇA UM COMENTÁRIO

Por favor, escreva seu comentário!
Por favor, escreva seu nome

Últimas notícias

Fim da Escala 6×1: vitória de Lula e crise no bolsonarismo na reta final da campanha

A poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais,...

Delegado Olim cobra explicações de Eduarda Campopiano sobre feminicídio

O Delegado Olim (PP), deputado estadual reeleito, afirmou que...

tejkjkejl

Telma de Souza: a coragem de governar e as raízes que Santos não apaga

Por Cidinha SantosHá nomes que não cabem apenas nas...

Campineiros vão às ruas: fé e justiça social caminham juntas!

Por Rogério Bezerra da Silva Campinas é feita de gente...

Topics

Fim da Escala 6×1: vitória de Lula e crise no bolsonarismo na reta final da campanha

A poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais,...

Delegado Olim cobra explicações de Eduarda Campopiano sobre feminicídio

O Delegado Olim (PP), deputado estadual reeleito, afirmou que...

tejkjkejl

Telma de Souza: a coragem de governar e as raízes que Santos não apaga

Por Cidinha SantosHá nomes que não cabem apenas nas...

Campineiros vão às ruas: fé e justiça social caminham juntas!

Por Rogério Bezerra da Silva Campinas é feita de gente...

Notas de conjuntura política, por Luis Fernando Vitagliano

Por Luis Fernando VitaglianoSexta-feira, 09 de outubro de 2026. Faltam...

Análise: fatores que levam eleitores à direita

Por Norian SegattoNa segunda-feira, após o tsunami eleitoral, passei...
Fenae 55 anosFenae 55 anosFenae 55 anosFenae 55 anos

Related Articles