Enquanto a classe trabalhadora se mobiliza pelo fim da escala 6×1, um grupo de parlamentares atua em Brasília para não apenas manter o modelo atual, mas abrir brechas para jornadas ainda mais extenuantes. Sob o manto da Emenda 01/2026 à PEC 221/2019, de autoria de Sérgio Turra (PP-RS), deputados federais assinaram uma proposta que pode elevar a carga de trabalho para até 52 horas semanais e adiar por dez anos qualquer transição efetiva. Dentre os deputados que assinaram, estão 18 eleitos pelo estado de São Paulo, refletindo a posição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) que também é contra a redução.
A manobra dos parlamentares do Centrão de de direita, um ataque direto aos direitos conquistados, autoriza que acordos individuais ou coletivos extrapolem o limite de 40 horas em até 30%, atingindo o teto de 52 horas. Além disso, a proposta prevê compensações generosas aos patrões, como a redução de 50% da contribuição ao FGTS. Em resumo, a emenda prioriza o lucro em detrimento da saúde física e mental de quem produz a riqueza.
Os inimigos da redução da jornada de trabalho em São Paulo
Devido à pressão popular, vários deputados que assinaram o documento recuaram e retiraram seus nomes do documento. No entanto, nenhum deles é de São Paulo e a lista de signatários paulistas permanece intacta. Entre os nomes que apoiam o retrocesso, figuram expoentes do bolsonarismo.
Confira os deputados da bancada paulista que assinaram a emenda (em ordem alfabética):
- Adilson Barroso (PL-SP)
- Adriana Ventura (Novo-SP)
- Arnaldo Jardim (Cidadania-SP)
- Baleia Rossi (MDB-SP)
- Celso Russomanno (Republicanos-SP)
- Delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP)
- Jefferson Campos (PL-SP)
- Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP)
- Marangoni (Podemos-SP)
- Marco Feliciano (PL-SP)
- Mario Frias (PL-SP)
- Mauricio Neves (PP-SP)
- Missionário José Olimpio (PL-SP)
- Renata Abreu (Podemos-SP)
- Ricardo Salles (Novo-SP)
- Rosangela Moro (PL-SP)
- Simone Marquetto (PP-SP)
- Vinicius Carvalho (PL-SP)
O deputado Vitor Lippi (PSD-SP) assinou originalmente a proposta, mas retirou seu nome na quarta, dia 20, após a repercussão negativa.
Haddad sobre Tarcísio: “Fala fino com o andar de cima e grosso com a baixa renda”
O alinhamento desses parlamentares reflete a postura do governador Tarcísio de Freitas, que recentemente defendeu a manutenção da jornada de 44 horas semanais sob o argumento de evitar impactos negativos para as empresas. A fala do governador, proferida em um evento do setor supermercadista, gerou forte reação do ex-ministro e pré-candidato ao governo de SP, Fernando Haddad (PT).
Haddad subiu o tom contra o que chamou de priorização dos interesses do patronato em detrimento do bem-estar social. “Há uma insatisfação com esse tipo de postura, de quem fala fino com o andar de cima e fala grosso com a população de baixa renda”, declarou Haddad em entrevista. Para ele, Tarcísio demonstra ser uma pessoa que “está sempre pensando no patrão, nunca está pensando no trabalhador”.
A crítica de Haddad reforça a tese de que a gestão estadual e seus aliados no Congresso ignoram as tendências de países avançados que buscam garantir mais qualidade de vida para a base da pirâmide social.




Quero saber quem são os deputados que estão a favor do povo. Eles que precisam destaque, o nome deles escrito em todos videos e imprensa.
Parem de fazer campanha “BURRA”