A greve conjunta de docentes, servidores técnico-administrativos e estudantes na Unicamp tem se consolidado, com um amplo calendário de atividades programado para os próximos dias. A mobilização visa pressionar o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) pela reabertura das negociações salariais e por melhorias nas condições de permanência estudantil e de trabalho. As informações foram confirmadas durante uma assembleia extraordinária realizada na sede da ADunicamp nesta segunda-feira, 25.
A principal demanda das categorias em greve é a reabertura imediata das negociações com o Cruesp. Após a proposta de reajuste salarial de 3,47% ter sido considerada insuficiente e mantida, o Cruesp encerrou as rodadas de conversas, negando pedidos por novas discussões. A presidenta da ADunicamp, professora Silvia Gatti, criticou a decisão, afirmando que “fechar negociações com universidades em greve é uma decisão que não tem o menor sentido”. O Fórum das Seis, que representa as entidades docentes, já enviou um ofício ao Cruesp solicitando uma nova rodada de negociação ainda nesta semana, mas ainda aguarda resposta.
O Fórum das Seis reivindica uma contraproposta que inclua 4,39% de reposição inflacionária, calculada pelo índice IPCA, somados a 3% como início da recuperação das perdas salariais acumuladas desde 2012, totalizando 7,52%. Além disso, o movimento cobra avanços concretos em pautas relacionadas à permanência estudantil, à melhoria das condições de estudo e trabalho e ao financiamento adequado para as universidades públicas paulistas, que, segundo o Fórum, têm crescido nas últimas décadas sem a correspondente ampliação de recursos.
Mobilização nas Universidades Estaduais
O movimento grevista abrange amplos setores da comunidade acadêmica nas universidades estaduais paulistas. Na Unicamp, as três categorias – docentes, servidores técnico-administrativos e estudantes – permanecem em greve, com a paralisação estudantil atingindo praticamente 100% dos cursos. Estudantes da Unicamp já realizaram duas reuniões com a Reitoria para apresentar suas reivindicações e terão uma primeira reunião de negociações em breve, o que foi avaliado como um avanço. Na Unesp, estudantes continuam em greve, e docentes e servidores de diversos campi também aprovaram a paralisação. Na USP, os estudantes mantêm a greve em convergência com a pauta de permanência estudantil.
O Comando de Greve da ADunicamp, em conjunto com o STU (Sindicato dos Trabalhadores) e o DCE (Diretório Central dos Estudantes), elaborou uma ampla agenda unificada de greve, que inclui mobilizações, atos públicos, debates, eventos culturais e atividades políticas. Para esta terça-feira, 26 de maio, está previsto um grande ato público unificado em frente à Reitoria, durante a reunião do Conselho Universitário (Consu), com o objetivo de reforçar a presença de docentes para defender as reivindicações que dependem de aprovação do órgão. A servidora Nuria Infante, do Cotuca e integrante da Diretoria do STU, confirmou que a categoria está preparada para comparecer em massa.
A programação da greve se estenderá pela semana, com atos e aulas públicas dentro e fora do campus, apresentações culturais e debates. A agenda conjunta inclui plenárias temáticas em datas futuras, abordando temas como financiamento das universidades, assédio moral, democracia universitária, intensificação do trabalho docente e defesa da universidade pública. Detalhes sobre a realização das plenárias e a forma de participação serão divulgados em breve.



