Início Notícias Greve nas universidades estaduais paulistas: movimento organizado repudia proposta dos reitores

Greve nas universidades estaduais paulistas: movimento organizado repudia proposta dos reitores

Foto: Site da Adunicamp

Em um cenário de crescente tensão e mobilização, as comunidades acadêmicas da USP, Unesp e Unicamp deflagraram um movimento de greve unificado para barrar o que classificam como um projeto de arrocho salarial e desmantelamento das universidades públicas paulistas. A mobilização, que ganhou força com um grande ato público na última quarta-feira (20), reage à intransigência do Conselho de Reitores (Cruesp), que mantém uma proposta de reajuste de apenas 3,47%, valor considerado acintoso diante das perdas inflacionárias e da saúde financeira das instituições.

O conflito central reside na disparidade entre a proposta do Cruesp e a contraproposta do Fórum das Seis, que reivindica **7,52%** (composto pelo IPCA de 4,39% mais 3% de reposição de perdas históricas). Para os sindicatos, a insistência no índice da Fipe (3,47%) é uma manobra para rebaixar o poder de compra e usar os salários dos servidores como “caixa” para resolver déficits orçamentários, enquanto as reitorias mantêm políticas de expansão sem o devido investimento em pessoal.

José Luis Pio Romera, diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (STU), reforça a importância da unidade das categorias no enfrentamento ao Cruesp:

“Aqui na Unicamp os três segmentos estão em greve pelos 7,52% de reajuste e permanência estudantil. Solicitamos nova reunião de negociação com o Cruesp para rediscutir o reajuste e também o financiamento das universidades à luz da Reforma Tributária”.

Precarização e a Lógica do Lucro

Docentes denunciam que o subfinanciamento vem acompanhado de uma desestruturação do trabalho público, expressa na terceirização, na plataformização do ensino e na redução dos quadros de funcionários. Na Unicamp, a revolta também se volta contra a “autarquização” da área da saúde, vista como uma entrega do patrimônio público que precariza o atendimento e as relações de trabalho.

O professor Ricardo Antunes (IFCH-Unicamp) classificou a proposta das reitorias como uma “provocação” e um passo deliberado para o desmonte da universidade. Segundo ele, aceitar sucessivas perdas salariais é abrir caminho para uma lógica empresarial que privilegia a competição individualizada em detrimento da produção científica voltada ao interesse social.

Repressão e o Braço Forte de Tarcísio

A greve também enfrenta um cenário de violência e intimidação. Relatos das entidades sindicais apontam para uma escalada repressiva, com a invasão da Polícia Militar na reitoria da USP e a abordagem de caravanas de estudantes e servidores por policiais rodoviários durante a “Marcha pela Vida e Educação”. Para o movimento, essas ações configuram uma política deliberada do governo de Tarcísio de Freitas para constranger o direito à livre organização e manifestação.

“É inadmissível que a universidade permita esse avanço repressivo contra a livre organização das categorias”, aponta o boletim do STU, criticando a conivência das reitorias com a presença ostensiva da PM nos campi.

O fato consumado no Conselho Universitário

A estratégia das reitorias agora parece ser a do “fato consumado”. O reitor da USP, Aluísio Segurado, convocou o Conselho Universitário para o próximo dia 26 de maio para referendar o índice de 3,47%, ignorando o pedido de reabertura de negociações feito pelo Fórum das Seis. A medida é vista como um desrespeito ao movimento sindical e um esvaziamento do processo histórico de negociação coletiva.

A comunidade universitária, porém, promete manter a pressão. Com a greve instalada e o apoio nacional do ANDES-SN, o movimento projeta a reconstrução de uma frente ampla em defesa do ensino superior.

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