Educação Pública

“Por nossas filhas e filhos e pelo futuro de Campinas: ato em defesa da educação

Manifestação e aula pública no Paço Municipal contra medidas que ameaçam a qualidade do ensino municipal.

Por Rogério Bezerra da Silva

Quando uma escola pública acolhe uma criança, acolhe também toda uma família. Em Campinas, milhares de pais e mães conhecem de perto o valor da rede municipal de educação. São famílias que deixam seus filhos todos os dias nas escolas públicas da cidade com a confiança de que encontrarão muito mais do que salas de aula: encontrarão cuidado, escuta, acolhimento e profissionais comprometidos com o desenvolvimento humano das crianças.

A rede municipal construiu, ao longo dos anos, uma relação afetiva profunda com as famílias campineiras. Para muitos pais e mães trabalhadores, as escolas públicas da cidade representam segurança, carinho, alimentação de qualidade, inclusão e um espaço onde cada criança é vista em sua singularidade.

É justamente essa história construída coletivamente que comunidades escolares dizem estar ameaçada. Na próxima terça-feira, 26 de maio, a partir das 16h30, professores, educadores, estudantes e familiares promovem uma manifestação e aula pública em frente ao Paço Municipal (Prefeitura) para denunciar medidas da Secretaria Municipal de Educação (SME) que, segundo o movimento, colocam em risco a qualidade histórica da Rede Municipal de Ensino de Campinas.

Com o lema “Quem define as rotas de nossa rede somos nós: mães, pais, educadores e alunos”, o movimento lançou uma carta-manifesto em defesa da educação pública, democrática e inclusiva. O documento denuncia o avanço da privatização da Educação, a ampliação da terceirização na Educação Especial, a padronização curricular e o enfraquecimento dos espaços de participação democrática nas escolas.

Segundo os organizadores, as mudanças promovidas pela atual gestão municipal reduzem a autonomia pedagógica das unidades escolares e enfraquecem práticas que fizeram da educação pública de Campinas uma referência nacional em gestão democrática e formação integral.

Para muitas famílias, o receio vai além das mudanças administrativas. A preocupação está no impacto direto sobre o cotidiano das crianças: salas mais cheias, menos participação das famílias nas decisões escolares, sobrecarga dos educadores e perda do vínculo humano que sempre marcou a rede municipal.

“O que está em jogo é o modelo de educação que queremos para nossas crianças”, afirmam integrantes do movimento. O movimento também critica a precarização das condições de trabalho e aponta que a valorização dos profissionais da educação é parte essencial da qualidade do ensino oferecido às crianças e adolescentes da cidade.

Em contraposição às medidas denunciadas, o movimento reivindica mais investimento público na educação, realização de concursos públicos, aumento do número de educadores, fortalecimento da educação inclusiva, retomada da construção coletiva das Diretrizes Curriculares e ampliação da participação das famílias, estudantes e trabalhadores nas decisões da rede.

As comunidades escolares afirmam que continuarão mobilizadas para defender uma educação pública construída com diálogo, diversidade e participação popular.
Para muitos pais e mães de Campinas, defender a escola pública é também defender memórias, vínculos e futuros. É proteger o lugar onde seus filhos aprenderam as primeiras palavras, fizeram amizades, receberam cuidado e começaram a descobrir o mundo.

Participem do ato:

Dia 26 de maio

A partir das 16h30

Em frente à Prefeitura de Campinas.

 

Rogério Bezerra da Silva é Geógrafo, Mestre, Doutor e Pós-doutor em Política Científica e Tecnológica pela Unicamp. Articulista do Radar Democrático. Junto a Paulo San Martin, é editor da Coleção Caminhos e Rumos.

 

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