A Rede Municipal de Educação de Campinas vive um momento de intensa mobilização e resistência contra as políticas da atual gestão da secretária Patrícia Adolf Lutz e do prefeito Dário Saadi. Após uma histórica ocupação do Paço Municipal em 26 de maio, que reuniu mais de 300 educadores, um novo ato está confirmado para esta terça-feira, 23 de junho, a partir das 17h30, no mesmo local.
O movimento, que ganha corpo com o apoio da Faculdade de Educação da Unicamp e diversas organizações sociais, denuncia o avanço de um modelo de “escola-empresa” na cidade. Segundo os manifestantes, a atual administração tenta impor uma lógica que já fragilizou a rede estadual paulista, caracterizada por currículos padronizados, “plataformização”, avaliações externas punitivas e o desvio de recursos públicos para empresas privadas.
Conquistas e resistência
A pressão dos trabalhadores já colheu resultados significativos. A categoria celebra a retomada da escrita autoral das Diretrizes Curriculares Municipais, rechaçando assessorias externas e devolvendo o protagonismo a quem atua diretamente nas salas de aula. Esta vitória é vista como um marco na defesa da autonomia pedagógica e dos Projetos Políticos Pedagógicos enraizados nos territórios das comunidades escolares.
No entanto, o cenário ainda é de alerta. Em plenária realizada no dia 10 de junho, educadores relataram um aumento no adoecimento docente e o desestímulo dos alunos frente ao que chamam de “empobrecimento das aprendizagens”. O movimento também se posiciona frontalmente contra o autoritarismo das escolas cívico-militares e as relações de mando e obediência que o projeto atual tenta fortalecer.
Pautas da categoria
Além da questão pedagógica, o ato de amanhã reforça bandeiras históricas e urgentes da categoria, tais como:
- Enquadramento das monitoras e agentes da educação infantil;
- Fim da precarização do trabalho de professores adjuntos e profissionais da educação especial
- Substituição de avaliações diagnósticas externas pela Avaliação Institucional Participativa, que prioriza o diagnóstico orgânico em vez de rankings e punições;
- Estruturação do Camprev e valorização salarial efetiva.



