A gestão Tarcísio de Freitas, que se autoafirma como o suprassumo da “eficiência gerencial” e da “modernização administrativa”, não consegue sequer listar o que o Estado de São Paulo possui. Durante a análise das contas de 2025, nesta quarta-feira, dia 17, no Tribunal de Contas do Estado (TCE-SP), um dado explosivo revelou o tamanho da negligência: o governo mantém um patrimônio “invisível” estimado em R$ 1 trilhão, composto por cerca de 30 mil imóveis que simplesmente não aparecem nos balanços oficiais. O Radar Democrático acompanhou a discussão dos conselheiros e traz os detalhes para você:
O conselheiro Wagner de Campos Rosário trouxe à luz a incapacidade do Estado em gerir seus próprios ativos. Enquanto o balanço oficial registra um ativo imobilizado de R$ 194,7 bilhões, a fiscalização identificou que existem cerca de 30 mil imóveis não reconhecidos contabilmente.
O estoque é composto por prédios abandonados ou invadidos, terrenos e fazendas. Grande parte desses ativos encontra-se ociosa, sem qualquer função social ou estratégica, gerando custos desnecessários de vigilância e manutenção para o erário.
A estimativa é que, se devidamente avaliados e registrados, esses bens fariam o patrimônio estadual saltar para a casa do trilhão de reais — recursos que permanecem nas sombras, sem qualquer diretriz de uso social ou estratégico.
“O Estado não pode ser uma imobiliária”
A crítica mais contundente ao descaso patrimonial partiu do conselheiro do TCE Dimas Ramalho. Em um estado que enfrenta uma crise habitacional severa, com milhares de famílias sem teto ou vivendo em áreas de risco, a existência de um estoque colossal de imóveis ociosos, invadidos ou abandonados é um escárnio. Dimas Ramalho foi enfático ao disparar contra a lógica de abandono do patrimônio público:
“O estado de São Paulo não pode ser uma grande imobiliária… com tanta gente sem residência no estado”.
A denúncia aponta que o governo prefere manter prédios e fazendas “perdidos” em vez de transformá-los em moradia popular ou equipamentos de serviço público. O relator Marco Aurélio Bertaiolli destacou que essa desorganização é “antiga” e decorre de ferramentas tecnológicas ultrapassadas, o que impede uma consolidação fidedigna dos dados. O atual governo, no entanto, não investiu em modernização para sanar o problema.
Negligência que Gera Custo
Parte desses imóveis “perdidos” é de propriedade da SPPrev, autarquia que gerencia a previdência dos servidores estaduais. O TCE-SP recomendou que a entidade implemente ações urgentes, em 90 dias, para a venda ou utilização produtiva e social desses bens.
A situação dos imóveis sob a guarda da SPPrev é classificada como de elevada vulnerabilidade. Segundo a auditoria do TCE, grande parte do acervo imobiliário da autarquia é composta por imóveis ociosos, sendo que assustadores 99% desses bens estão ociosos ou possuem pendências jurídicas.
Ao governo de São Paulo foi determinada a regularização de sua escrituração para atender aos princípios de transparência e evidenciação contábil.



