Início Manchete Marina Silva e Sônia Guajajara debatem justiça climática e o trabalho contemporâneo

Marina Silva e Sônia Guajajara debatem justiça climática e o trabalho contemporâneo

Foto: Elineudo Meira (Chokito) / Sindsep

Como fazer a classe trabalhadora se mobilizar pela justiça climática foi o ponto central do “Seminário Pós-COP30 e a Situação dos Trabalhadores”. O evento, realizado na sexta-feira, 12 de junho, no auditório da CUT Brasil, contou com a presença de figuras como as deputadas federais e ex-ministras Marina Silva (Rede) e Sônia Guajajara (Psol).

Organizado pela Secretaria de Meio Ambiente da CUT-SP e o Sindsep (Sindicato dos Servidores Municipais de São Paulo), o seminário reuniu autoridades para debater o tema. Raimundo Suzart, presidente da CUT São Paulo, destacou a urgência de discutir a responsabilização das grandes empresas por crimes ambientais, especialmente em um ano eleitoral.

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“As denúncias acontecem, os mares estão sendo poluídos, empresas matam e não temos uma discussão por parte dos governantes. Precisamos discutir, temos eleições e não temos como dissociar”, reflete Raimundo Suzart.

Solange Ribeiro, secretária de Meio Ambiente da CUT-SP, ressaltou os impactos negativos das privatizações e da terceirização em serviços públicos, conectando-os diretamente às mudanças climáticas e a desastres ambientais recentes.

“Estamos vendo coisas muito sérias acontecendo. A privatização da Sabesp e os desastres que têm ocorrido por erro humano mostram a necessidade de discutir profundamente a terceirização. Precisamos olhar para essa questão com responsabilidade”, afirmou Solange Ribeiro.

A deputada federal e ex-ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, enfatizou a necessidade de uma ampla união para combater a crise climática. Segundo ela, a luta ambiental transcende grupos específicos, abrangendo a classe trabalhadora, comunidades periféricas, governos e a sociedade em geral. Guajajara também alertou para a ligação entre o avanço da extrema-direita, o negacionismo científico e as ameaças aos direitos e territórios. Outra preocupação levantada foi a exploração de terras raras, com a defesa de que os benefícios gerados pela exploração desses minerais estratégicos alcancem o povo brasileiro, garantindo soberania e respeito aos territórios afetados.

“Fico muito animada quando vejo trabalhadores e trabalhadoras de vários segmentos reunidos. Essa não é uma luta apenas dos povos indígenas ou dos ambientalistas. É uma luta que envolve a classe trabalhadora, as periferias, os governos e toda a sociedade. O que está acontecendo não é um problema do futuro. Já estamos sentindo os efeitos das mudanças climáticas em todos os lugares”, afirmou Sônia Guajajara.

Democracia e as novas frentes de trabalho

Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente, conectou a defesa da democracia à construção de alianças para as pautas sociais, ambientais e de trabalho. Ela ressaltou os desafios impostos pelas transformações tecnológicas e pela emergência climática, que demandam novas respostas para o mundo do trabalho. A inteligência artificial e a substituição de profissões repetitivas foram apontadas como fatores que exigirão formação diversificada para a adaptação dos trabalhadores a futuras profissões.

“Em 2022, só foi possível vencer as eleições com esses ecossistemas de forças democráticas para salvar a democracia. Estamos em uma crise e a democracia precisa dar respostas para os problemas reais que as pessoas estão enfrentando”, afirmou Marina Silva

Para a ex-ministra, é impossível fazer discussões e tomar atitudes dissociadas como se houvessem campos distintos e sem conexão entre si:

“Está tudo no mesmo pacote: o avanço tecnológico, a inteligência artificial e as mudanças climáticas. Muitas profissões repetitivas serão substituídas pela IA. Precisamos de uma formação variada para conseguirmos transitar entre diferentes profissões. Quando pensamos nos nossos filhos e netos, precisamos nos perguntar quais empregos eles terão no futuro”, destacou.

Retomada das políticas ambientais

Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, relembrou o desmonte das políticas ambientais durante a gestão anterior, enfatizando que o crime ambiental tinha “garantia de impunidade” e estava institucionalizado. Ele celebrou a queda de 61,4% no desmatamento da Amazônia Legal em maio de 2026, em comparação com o ano anterior, como uma conquista significativa do atual governo federal.

“Isso é uma conquista muito grande, tendo em vista todo o histórico de desmontes no governo Bolsonaro. A Amazônia tem um desafio enorme, com uma rede de crime organizado complexa de ser combatida”, pontua Astrini.

Astrini também abordou os eventos climáticos extremos, como a chegada do El Niño, e destacou que as populações mais vulneráveis a esses eventos são a classe trabalhadora, a população negra, periférica e as mulheres. Uma expectativa é o lançamento iminente de um plano federal de preparação para o enfrentamento ao El Niño.

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