O pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT) apresentou uma agenda focada na recuperação da dignidade dos serviços públicos e no enfrentamento ao que chama de “modelo de retrocesso” da atual gestão estadual, comandada por Tarcísio de Freitas (Republicanos). Em visita a Piracicaba, com a pré-candidata Simone Tebet (PSB), onde houve um almoço a imprensa e lideranças políticas locais como a deputada estadual Professora Bebel (PT) e as vereadoras Rai de Almeida (PT) e Silvia Morales (PV). A agenda incluiu ainda uma visita ao campus do IFSP (Instituto Federal) e uma reunião com a direção do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e Mecânicas da região.
Haddad não poupou críticas ao governo de Tarcísio de Freitas, utilizando um tom sóbrio e analítico para denunciar os impactos sociais das políticas do governo do adversário no interior paulista. Abaixo, alguns pontos de sua fala à imprensa:
A “plataformização” da Educação e o adoecimento docente
Haddad analisou a saúde mental de professores e o papel pedagógico no estado. Ele denunciou a transformação do professor em um mero preenchedor de dados.
“Tem um processo de adoecimento por essa plataformização da educação que transforma o professor num autômato que fica preenchendo planilha ao invés de ensinar e aí coloca militar dentro da sala de aula e tira da rua onde tá precisando”.
A “caixa preta” dos benefícios fiscais
Haddad se comprometeu com a transparência radical na renúncia fiscal, que hoje é mantida em sigilo pelo governo Tarcísio e que beneficia grandes empresas com mais de R$ 80 bilhões por ano em descontos e isenções de impostos. Haddad propôs expor quem são as empresas beneficiadas pela “guerra fiscal”.
“O benefício fiscal, tem que abrir a caixa para mostrar pra população quem não tá pagando imposto. Se é o amigo do governo… se é parente do governador, se é amigo de deputado… Eu vou obrigar as empresas que têm benefício fiscal a declarar quanto deixaram de pagar”.
Privatização como ameaça à indústria
Haddad conectou a privatização da Sabesp e da Comgás não apenas ao custo doméstico, mas ao risco de desindustrialização, citando o caso do polo petroquímico de Cubatão como um presságio para o interior.
“O polo de Cubatão, por exemplo, tá perdendo indústria por causa do preço do gás que eles privatizaram… e da água que o Tarcísio privatizou. Como é que você vai manter um polo petroquímico sem água e sem gás baratos?”.
Segurança pública: o risco das milícias
Diferente do discurso focado apenas em policiamento ostensivo, Haddad alertou para a ocupação do espaço público por grupos paramilitares, comparando a trajetória de São Paulo à do Rio de Janeiro.
“Esse governo Tarcísio tá abrindo a porta para milícias venderem segurança que deixa de ser pública e passa a ser privada. Isso é muito perigoso. Ou nós fazemos um plano de segurança pública ou nós vamos ver em São Paulo o mesmo processo que tá acontecendo no Rio”.
Fim da política do “beija-mão”
O candidato criticou duramente a relação política do estado com os prefeitos, baseada na submissão partidária em troca de verbas, e propôs um modelo de gestão municipalista republicana.
“O presidente Lula nunca fez [distinção]. Nunca fiz. Aqui no governo do estado você tem que mudar de partido para conseguir verba. Tem um beija-mão aqui… se você não for amigo do rei, você não recebe”.
Habitação e combate à especulação de terras
Haddad propôs que o Estado atue como suporte técnico para que prefeituras do interior enfrentem o alto custo da terra através de seus planos diretores, citando sua experiência premiada na capital.
“O que muda muito o valor do imóvel é o preço do terreno… Se não baratear o preço da terra no interior, não vai sair do lugar. Eu vou criar um escritório de apoio aos prefeitos para fazer plano diretor”.
Haddad encerrou a entrevista lembrando do crescimento de crescimento de 1,5% do PIB de São Paulo no último ano, contra 2,3% do Brasil. Segundo ele. é o maior sinal de que o estado “deu a marcha ré” e precisa de uma mudança estrutural focada na justiça social e na transparência tributária.



