A Fenae (Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal) solicitou formalmente uma audiência com o presidente da Caixa, Carlos Vieira, para debater as notícias veiculadas na imprensa e nas redes sociais a respeito de atletas patrocinados pelo banco. A demanda surge após informações de que alguns atletas contratados para promover o atletismo e a marca Caixa teriam realizado manifestações de natureza político-partidária em suas plataformas digitais.
Em ofício encaminhado nesta terça-feira (28/07/2026), a Fenae expressa a necessidade de esclarecimentos por parte da Caixa. A Federação ressalta que a repercussão desses fatos e os potenciais impactos na imagem institucional do banco, bem como na aplicação correta dos recursos públicos destinados ao patrocínio esportivo, justificam a solicitação. O pedido visa entender os critérios adotados pela Caixa para o acompanhamento, fiscalização e validação das contratações e das entregas realizadas pelos atletas patrocinados.
Apesar das preocupações, a Fenae reitera o reconhecimento do papel histórico da Caixa como principal patrocinadora do atletismo brasileiro. A entidade reforça que o incentivo ao esporte deve ser pautado pelos princípios da legalidade, impessoalidade, transparência e interesse público.
Investigação sobre uso indevido de verba pública
Notícias divulgadas apontam que o patrocínio da Caixa à Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), sob o programa “Ídolos do Atletismo Loterias Caixa”, tem sido utilizado para a promoção de políticos. Atletas como André Domingos e Joaquim Cruz teriam publicado em suas redes sociais, marcando a Caixa, conteúdos que exaltam figuras como o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Tais posts contrariam as cláusulas contratuais que proíbem manifestações político-partidárias e violam o princípio constitucional da impessoalidade na publicidade de órgãos públicos.
Os contratos estabelecem que a CBAt é responsável por supervisionar a execução das contrapartidas e autorizar pagamentos mediante comprovação das entregas. Em caso de descumprimento, o contrato pode ser rescindido. A Caixa, em nota, afirmou que não possui contrato direto com os atletas e que a CBAt é a entidade responsável pelo cumprimento das contrapartidas. O banco reiterou que pauta sua atuação pela legislação vigente, incluindo o período eleitoral, e não realiza ações que promovam candidaturas ou agentes políticos. A Caixa também declarou que a publicação mencionada não decorre de contratação direta do banco nem representa sua manifestação institucional.
