A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) recuou e retirou suas propostas de reajustes por faixas salariais, fragmentação de benefícios entre cidades e congelamento do piso para novos bancários. A decisão ocorreu após 97% da categoria rejeitar as ofertas em assembleias. Apesar da retirada, os bancos não apresentaram uma nova proposta de índice de reajuste, o que mantém a categoria em estado de alerta. Com isso, está mantida a paralisação nacional dos bancários prevista para esta quinta-feira, dia 20.
O anúncio do recuo foi feito em São Paulo, após o Comando Nacional dos Bancários apresentar os resultados das assembleias. A Fenaban, alegando boa-fé negocial, questionou a paralisação nacional aprovada por 90% dos bancários. A federação chegou a pedir uma pausa nas negociações, condicionando a continuidade do diálogo à desistência das paralisações. O Comando Nacional recusou, classificando a atitude dos bancos como “má vontade” e uma “reação à falta de propostas”.
O Comando Nacional também insistiu na garantia da ultratividade, que mantém direitos da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) mesmo após o fim de sua vigência. A Fenaban, no entanto, negou e ameaçou levar a discussão ao Tribunal Superior do Trabalho (TST). A coordenadora do Comando Nacional, Juvandia Moreira, ressaltou que o fim da ultratividade é um dos prejuízos da reforma trabalhista de 2017, e alertou para a importância de não reeleger parlamentares que votaram por essa perda de direitos. A reforma de 2017 também é criticada por atacar a organização sindical, permitir a pejotização e a terceirização irrestrita.
Próximos passos e exigências dos bancários
As negociações entre o Comando Nacional e a Fenaban serão retomadas em 24 de agosto, após uma reunião interna do setor bancário na sexta-feira (21). O Comando Nacional continua cobrando a suspensão de demissões, indenização adicional para quem for demitido, e programas de qualificação e requalificação para os trabalhadores. A expectativa é que a paralisação de 20 de agosto reforce a pressão sobre os bancos para que apresentem uma proposta “decente”, com aumento real, valorização da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), vale-alimentação (VA), vale-refeição (VR) e piso salarial.
O setor bancário apresentou um patrimônio líquido de R$ 1,2 trilhão em 2025. Entre 2015 e 2025, enquanto o setor fechava postos de trabalho e agências, os cinco maiores bancos aumentaram em 49% os contratos com correspondentes bancários, terceirizando serviços. A remuneração média anual de altos executivos dos três maiores bancos privados em 2026 deve chegar a R$ 12,5 milhões, 120 vezes superior à de um escriturário. O lucro por empregado nos bancos é de R$ 438 mil. Em contrapartida, 40% dos bancários utilizaram medicamentos controlados entre maio de 2025 e maio de 2026. A folha de pagamento dos bancos caiu 7% desde 2016, e a distribuição de PLR nos bancos privados caiu de 14% em 1995 para 5,9% em 2025.



