Os números da última pesquisa Genial/Quaest, de julho de 2026, acenderam um alerta vermelho no Palácio dos Bandeirantes que a propaganda de “eficiência técnica” não consegue disfarçar. Há um abismo de percepção entre os gêneros no estado: enquanto a aprovação do governo Tarcísio de Freitas segue estável e alta entre os homens (62%), entre as mulheres ela desabou para 47% — uma queda de 10 pontos percentuais em 11 meses.
Para a cientista política Lilian Sendretti (USP), ouvida pelo UOL, a queda na aprovação feminina é o termômetro de que o marketing do “governador realizador” perdeu o fôlego diante da precarização do cotidiano. As paulistas, que sentem na pele as falhas na saúde, na segurança e o aumento do custo de vida, passaram a identificar uma dissonância entre o discurso oficial e a realidade das ruas.
A jornalista e advogada Luka Franca, articuladora da campanha “Tarcísio Inimigo das Mulheres”, é taxativa sobre esse cenário:
“A queda nos últimos meses da popularidade de Tarcísio entre as mulheres do estado de São Paulo demonstra o que temos pautado nas ruas: o governador não se importa em promover políticas que garantam as nossas vidas. Na verdade, o que ele tem feito é jogar contra as políticas públicas que combatem à violência contra mulher e o feminicídio em São Paulo.”
Se em 2022 Tarcísio tentou se vender como um perfil moderado e técnico, sua gestão em 2026 consolidou um alinhamento explícito com a ala mais radical do bolsonarismo. Para o professor Hilton Fernandes (FESPSP), também segundo o Uol, o apoio direto a candidaturas como as de Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL) ao Senado, somado à vinculação umbilical com Flávio Bolsonaro (PL), ergueu um “muro” entre o governador e as eleitoras.
Pesquisas de comportamento político indicam que o eleitorado feminino tende a ser mais pragmático e avesso a discursos extremistas que flertam com a violência institucional. Em São Paulo, esse radicalismo colide de frente com a maioria do eleitorado, que busca segurança não apenas no asfalto, mas na garantia de direitos fundamentais.
Disputa Acirrada nas Urnas
Embora Tarcísio ainda lidere numericamente a intenção de voto no estado, o recorte feminino revela uma disputa bem mais equilibrada do que sugere o cenário geral. Entre as mulheres, a diferença para Fernando Haddad (PT) é de apenas 6 pontos (34% a 28%); entre os homens, a vantagem do governador salta para 26 pontos (50% a 24%).
Com 18% das paulistas ainda indecisas, o vácuo de representatividade e o descontentamento com as políticas atuais transformam o voto feminino no fator decisivo para 2026. Os dados da Quaest reforçam a leitura de que o projeto neoliberal e conservador de Tarcísio encontrou um limite intransponível: a consciência de mulheres que se recusam a aceitar o desmonte de suas vidas em nome de uma austeridade seletiva.
Dados Técnicos da Pesquisa Genial/Quaest:
– Amostra: 1.650 entrevistas presenciais e domiciliares.
– Margem de erro: 2 pontos percentuais.
– Registros: BR-09998/2026 e SP-04846/2026.



