A Igreja Universal do Reino de Deus expandiu sua presença em diversas áreas da administração pública do Estado de São Paulo durante a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), iniciada em janeiro de 2023. Reportagem de Artur Rodrigue no Uol aponta que o avanço engloba desde a realização de atividades em quartéis da Polícia Militar e acordos no sistema prisional até a liderança na concessão de empréstimos consignados para policiais e o recebimento de milhões em emendas parlamentares.
A presença da igreja no meio policial intensificou-se com a realização recorrente de orações, cultos e atividades de capelania em unidades da PM, por meio do programa Universal nas Forças Policiais (UFP). Espaços da instituição também têm sido utilizados para eventos corporativos da corporação e reuniões administrativas de servidores públicos, como ocorreu em junho de 2025 com diretores de escolas estaduais em Santos.
No âmbito penitenciário, a Secretaria da Administração Penitenciária firmou, em outubro de 2024, um acordo de cooperação técnica com a Universal para capacitação profissional de detentos. A aproximação motivou denúncias do Movimento Brasil Laico ao Ministério Público e questionamentos de lideranças religiosas sobre eventual privilégio de acesso às unidades prisionais em relação a outras denominações.
Avanco financeiro e investigação da Polícia Federal
Na área financeira, o banco Digimais, ligado ao bispo Edir Macedo, obteve autorização do governo paulista em junho de 2025 para operar empréstimos consignados a servidores estaduais. Com acesso a um mercado potencial de 80 mil policiais militares ativos, a instituição tornou-se líder no segmento dentro da PM em 2026, somando R$ 7,9 milhões em concessões.
No entanto, novos contratos com o banco foram suspensos pelo governo estadual após a deflagração da Operação Miragem pela Polícia Federal, que investiga fraudes financeiras na instituição.
Emendas parlamentares e peso político
O crescimento da igreja na estrutura estadual é acompanhado pelo fortalecimento político do Republicanos, partido ligado à cúpula da Universal e integrante da base governista. A bancada da legenda na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) saltou de seis para nove deputados, tornando-se a quarta maior da Casa.
Parlamentares do partido destinaram mais de R$ 16 milhões em emendas para financiar eventos promovidos pela igreja — como a Caminhada do Amor e o festival Família ao Pé da Cruz —, com recursos repassados por intermédio do Instituto Paulo Kobayashi.
Outro lado
Em nota, o Governo do Estado de São Paulo informou que não possui convênio formal de caráter religioso e que a utilização de locais da Universal ocorre pontualmente, sem custos, quando há necessidade de espaços de grande capacidade. Sobre as emendas, o Executivo declarou que a indicação de valores e beneficiários é prerrogativa exclusiva dos parlamentares. Em relação aos consignados, alegou que o credenciamento segue critérios técnicos impessoais.
O Instituto Paulo Kobayashi afirmou ser uma entidade apartidária que atende solicitações de deputados de diversas siglas e viabiliza projetos de diferentes matrizes religiosas.
A Igreja Universal e o partido Republicanos não enviaram resposta aos questionamentos da reportagem do UOL.



