Apenas dois dias após o segundo turno das eleições de 2026, governadores estaduais que fizeram campanha com a promessa de reduzir ou congelar impostos aprovaram um reajuste nacional do ICMS sobre combustíveis. Entre eles está o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Conforme apuração do jornalista Cleber Lourenço, divulgada pelo portal ICL Notícias, a decisão foi firmada de maneira unânime no Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) e atinge em cheio itens essenciais para a população, com vigência estipulada a partir de 1º de fevereiro de 2027.
Impacto direto nas bombas e no bolso das famílias
O aumento mais expressivo aprovado pelos secretários da Fazenda recai sobre o óleo diesel. O imposto passará de R$ 1,17 para R$ 1,30 por litro, representando uma elevação imediata de 11,1%. Para a gasolina, a tarifa fixa subirá de R$ 1,57 para R$ 1,64 por litro (4,4%).
O gás de cozinha também sofrerá reajuste, com a tributação avançando de R$ 1,47 para R$ 1,54 por quilo (4,8%). Na prática, a mudança encarece em R$ 0,91 o preço final de cada botijão tradicional de 13 quilos. O modelo segue as diretrizes da Lei Complementar 192 de 2022, que fixou valores em reais por unidade de medida em substituição aos percentuais variáveis.
O contraste entre discursos de campanha e votos no Confaz
A medida mostra as contradições diretas entre o discurso eleitoral e a conduta administrativa de diversos gestores estaduais, muitos deles aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas chegou a declarar publicamente, na própria data da deliberação do conselho, que defendia aliviar o peso dos tributos sobre a população, enquanto seu secretário da Fazenda, Samuel Kinoshita, chancelava o aumento em Brasília.
Em Santa Catarina, o governador Jorginho Mello assinou, em setembro, um termo formal junto à Federação das Indústrias do Estado (Fiesc) assegurando que não haveria aumento da carga tributária. Menos de dois meses depois, o estado validou o reajuste coletivo.
No Distrito Federal, a governadora Celina Leão defendeu publicamente alíquotas mais baixas de combustíveis cinco dias antes do encontro do Confaz, mas seu governo integrou o acordo que elevou os tributos. A lista de adesões abrange ainda governadores como Eduardo Riedel, em Mato Grosso do Sul, Otaviano Pivetta, em Mato Grosso, e Daniel Vilela, em Goiás.
Isenções bilionárias e pressão sobre o consumo popular
O aumento negociado pelos estados ocorre em um cenário de forte pressão sobre os custos de transporte e alimentos, enquanto o governo federal aplica subsídios e desonerações no diesel para conter a inflação. Defensores do reajuste no Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz) alegam a necessidade de manter o poder de compra da arrecadação pública frente às oscilações de mercado, destacando que cortes lineares costumam ser absorvidos pelas distribuidoras.



