Universidade

Universidades paulistas: professores e funcionários pedem reposição salarial de 16% represada desde 2012

Docentes, funcionários e estudantes intensificam mobilização em defesa da universidade pública e melhores condições de trabalho.

O Fórum das Seis protocolou a Pauta Unificada de Reivindicações da Data-base 2026 das categorias de funcionários e professores das universidades estaduais paulistas: USP, Unesp e Unicamp e Centro Paula Souza. A principal reivindicação é um reajuste de 15,97% nos salários, colocando fim a perdas que vêm desde 2012. O documento foi entregue no dia 22, quarta-feira, ao Cruesp (Conselho de Reitores), na reitoria da Unesp em São Paulo.

Segundo o Fórum, a defasagem salarial acumulada representa o confisco de mais de 20 salários não pagos aos docentes e servidores técnico-administrativos neste século, expondo a face perversa da política de desvalorização do serviço público estadual.

A ofensiva das categorias, segundo a Adunicamp (Associação de Docentes da Unicamp) não é apenas uma demanda econômica, mas um ato de resistência contra a agenda neoliberal do governo Tarcísio de Freitas, que prioriza o lucro sobre o serviço essencial. A pauta protocolada exige melhorias estruturais nas condições de trabalho e o fortalecimento urgente das políticas de permanência estudantil, pontos que sofrem sob a lógica de cortes sistemáticos e precarização. A entidade defende a ampliação do financiamento das universidades públicas como uma ferramenta essencial para barrar o desmonte planejado que atinge tanto a capital quanto o interior paulista.

A agenda de mobilização segue intensificada nos próximos dias, com reuniões técnicas e debates sobre os impactos da reforma tributária previstos para 28 de abril. No dia seguinte, 29 de abril, as discussões focam na permanência estudantil, culminando em uma reunião técnica decisiva entre o Fórum das Seis e o Cruesp no dia 30 de abril, na Reitoria da Unesp. Esta articulação estratégica é fundamental para aprofundar o debate sobre a pauta unificada e garantir que a universidade pública paulista resista aos retrocessos e continue cumprindo seu papel social de forma democrática e referenciada.

Ações unificadas na Unicamp

Para além da reposição inflacionária, na Unicamp a mobilização se destaca pela construção de uma unidade estratégica entre docentes (ADunicamp), funcionários técnico-administrativos (STU) e estudantes (DCE). Esta articulação busca responder a uma conjuntura de avanço de projetos que ameaçam os direitos históricos da comunidade universitária. As entidades reforçam que a defesa da universidade pública exige uma organização permanente capaz de enfrentar a intensificação da exploração do trabalho e o desmonte dos serviços públicos.

O cenário interno na Unicamp revela os impactos sociais severos das políticas de austeridade, com relatos preocupantes de sobrecarga de trabalho, assédio moral e adoecimento entre os servidores. A precarização é visível na pressão por produtividade e na falta de contratações, o que torna a luta por melhores condições de trabalho indissociável da luta pela qualidade do ensino e da pesquisa. Um dos pontos críticos denunciados é a tentativa de autarquização do complexo de saúde, vista como uma manobra que gera insegurança e precarização para toda a comunidade que utiliza esses serviços essenciais.

A agenda de lutas está intensificada para a semana de 27 a 30 de abril, com uma série de atividades programadas. O calendário inclui paralisações do STU, cafés da manhã de mobilização no Hospital das Clínicas, reuniões de unidades e assembleias gerais para avaliar os rumos do movimento.

As entidades reafirmam que a valorização dos servidores públicos é o que garante serviços de qualidade para a sociedade e que a expansão da universidade não pode ser semeada com a precarização do futuro. A unidade entre as três categorias é apresentada como a força necessária para barrar retrocessos e garantir uma universidade verdadeiramente democrática e socialmente referenciada.

Radar Democrático
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