No último sábado, 9 de maio, a sede do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, no centro da capital, foi palco do lançamento do livro “Augusto Campos: os bancários e a estratégia sindical que mudou o Brasil”. A obra celebra o legado de Augusto Campos (1941 – 2017), ex-presidente da entidade entre 1979 e 1985 e liderança fundamental do processo conhecido como “Retomada”, que reorganizou a categoria bancária durante a ditadura militar e iniciou uma nova era de lutas por direitos e democracia.
O evento reuniu figuras históricas da política e do sindicalismo, como o ex-ministro José Dirceu, a presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, e a dirigente Lúcia Mathias, companheira de Augusto.
Uma Vida de Estratégia e Militância

Escrito por Luiz Azevedo — dirigente sindical e ex-deputado — e Paulo Salvador — assessor de Augusto na Direp e Corep do Banespa e atualmente diretor do Radar Democrático —, o livro conta com a curadoria da socióloga Ana Tércia Sanches. A pesquisa reconstrói a trajetória de Augusto desde seu nascimento em Batatais-SP até sua aposentadoria em Santos, passando por marcos como:
A atuação na oposição bancária no Banespa e a vitória histórica de 1979.
A fundação do PT e da CUT, além da criação da Fetec-CUT/SP.
As grandes greves de 1985 e 1986, que formaram gerações de lideranças da esquerda brasileira.
O mandato como vereador da capital paulista pelo PT entre 2001 e 2004.
Segundo Paulo Salvador, a obra possui valor acadêmico por ser um registro histórico rigoroso. “Buscamos registros desde o nascimento do Augusto. Então é uma narrativa, não um mito”. Luiz Azevedo complementou destacando a visão contra-hegemônica de Augusto, que articulava a derrubada de diretorias “pelegas” em todo o país e defendia a organização sindical para além dos centros urbanos, discutindo os territórios onde os trabalhadores viviam.
Legado para as Novas Gerações

O olhar de Augusto para a renovação foi um ponto central das homenagens. Erica de Oliveira, secretária de imprensa do Sindicato, relatou que ele dividia sabedoria com paciência e enxergava potencial nos dirigentes mais jovens. Lúcia Mathias reforçou essa característica: “Augusto entrou em uma mata fechada, mas não buscou achar uma saída apenas para ele mesmo. Preocupou-se em deixar um caminho aberto para os demais”.
Para Neiva Ribeiro, atual presidenta do Sindicato, a publicação reafirma o compromisso com a memória coletiva. Ela ressalta que revisitar as décadas de 80 e 90 é essencial para enfrentar os desafios atuais de precarização do trabalho: “Nenhuma conquista veio sem participação, coragem e solidariedade”.
Neiva ainda traz as lições daqueles anos para os desafios deste ano:”Os ensinamentos daqueles anos permanecem extremamente atuais em um momento em que o movimento sindical segue sendo fundamental para defender direitos, combater desigualdades e enfrentar as tentativas de precarização do trabalho. Preservar essa memória é fortalecer a consciência coletiva e reafirmar que a organização dos trabalhadores é essencial para transformar a realidade.”
Ana Tércia sintetizou a importância da obra ao afirmar que ela narra como os trabalhadores se tornaram protagonistas em um período de repressão, forjando um sindicalismo independente e combativo.
O livro será disponibilizado em formato digital através do site oficial: www.spbancarios.com.br.



