Eleições SP

Em Campinas, Lula e Haddad apresentam êxito federal como antídoto ao “descarrilamento” de São Paulo

Em evento com 4 mil militantes, Fernando Haddad oficializa disputa ao governo de SP, alinhado aos sucessos federais do PT.

São Paulo perdeu o posto de locomotiva do Brasil, e a Frente Ampla com o PT à frente quer usar o interior para reconquistá-lo. Foi essa a mensagem central do ato que oficializou, neste sábado (25), a candidatura de Fernando Haddad (PT) ao governo do estado, realizado no ginásio do Clube Concórdia, em Campinas, com cerca de 4 mil militantes.

Mais que um lançamento de candidatura, o evento funcionou como vitrine de um contraste que a coligação pretende explorar à exaustão na campanha: de um lado, os indicadores nacionais em recuperação sob o governo Lula; de outro, um estado que patina sob a gestão de Tarcísio de Freitas.

Haddad como espelho do governo federal

A validação presidencial foi o ponto alto do ato. Lula apresentou seu candidato ao Palácio dos Bandeirantes como o “melhor gestor” do país, amarrando a biografia de Haddad diretamente aos números da economia federal.

“São Paulo tem uma chance histórica de colocar o melhor ministro da Educação que esse país já teve para ser governador… e colocar o melhor ministro da Economia que nós já tivemos”, declarou o presidente. Lula atribuiu a Haddad a menor inflação acumulada em quatro anos, o menor desemprego da história e um crescimento do PIB acima de 3% – números que, na leitura do petista, autorizam a promessa de que “São Paulo voltará a ser um estado respeitado”.

O diagnóstico do “nó paulista”

Coube a Haddad transformar a narrativa em diagnóstico técnico. Usando dados, o candidato construiu a tese de que São Paulo deixou de puxar o desenvolvimento do país.

Na economia, o contraste é direto: enquanto o Brasil cresce, o estado avançou apenas 0,4% nos últimos 12 meses, um quarto da média nacional de 2%. “Como é que um estado pode estar feliz crescendo um quarto do que cresce o país?”, provocou. Na educação, a alfabetização na idade certa em solo paulista já está abaixo da média nacional – atrás, inclusive, de estados do Nordeste historicamente citados como referência negativa pelos adversários do PT.

Na segurança, o tom subiu. Haddad citou que 20% de todos os celulares roubados no país são furtados na capital paulista e acusou o comando da Polícia Militar de estar “mancomunado com o crime organizado“. Recorrendo a dados da Fundação Seade, apontou um aumento de 82% na população em situação de rua no estado, em contraste direto com as promessas não cumpridas de solução para a Cracolândia.

Aliados mobilizam dados setoriais contra as privatizações

A tese do “resgate” de São Paulo foi reforçada por cada um dos principais nomes da coligação, cada qual com um recorte técnico próprio.

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) recorreu à metáfora das “marteladas” das privatizações na Bolsa de Valores para atacar a gestão Tarcísio. Segundo ele, as marteladas “trincaram as principais vitrines do estado” – uma referência direta ao colapso nas linhas privatizadas de trens e metrôs e à venda da Sabesp, negociada, na avaliação de Alckmin, abaixo do preço em um leilão que teve um único concorrente.

A ex-ministra Simone Tebet (PSB), agora candidata ao Senado por São Paulo, mirou a segurança pública, apontando o que chamou de “desonestidade intelectual” do governo estadual: enquanto o feminicídio recua no restante do país, em São Paulo o indicador cresceu 10%. Já a ex-ministra Marina Silva (Rede) e também candidata ao Senado, concentrou fogo na educação, resumindo a crítica em uma frase – “a plataforma não substitui os professores” – e questionando o tratamento do saneamento básico como simples mercadoria.

Interior como estratégia

A escolha de Campinas para o lançamento não foi acidental. O presidente estadual do PT, Kiko Celeguim, definiu o interior como o território onde a militância precisa “ocupar, dialogar e militar” para reverter os resultados adversos de eleições passadas. Márcio França, vice na chapa, resumiu o desafio à frente: São Paulo precisa deixar de ser o “vagão” arrastado pelo país para voltar a ser sua locomotiva.

O ato, cercado por forte esquema de segurança e por um comércio informal de camisetas e materiais estampados com o slogan “Brasil Soberano”, marca o início de uma sequência de atos que devem priorizar o cinturão metropolitano e as grandes cidades do interior nas próximas semanas.

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