segunda-feira, 8/12/2025
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“Corretor de imóveis”: Carlos Giannazi define a atuação de Tarcísio e chama por frente ampla em SP

O Radar Democrático traz uma entrevista que ninguém preocupado com o presente — e o futuro — de São Paulo pode ignorar. Em uma conversa intensa, franca e repleta de revelações, o deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL) — professor, mestre em Educação, doutor em História pela USP e uma das vozes mais combativas da Alesp — desmonta as engrenagens do atual governo paulista e expõe como suas decisões impactam diretamente a vida de milhões de pessoas.

Giannazi traça um retrato duro e detalhado da gestão Tarcísio de Freitas: privatizações em série, ataques à ciência e ao patrimônio público, militarização das escolas, aprofundamento das desigualdades e um modelo de Estado moldado para atender aos interesses do mercado — e não do povo.

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O resultado é uma entrevista que provoca, informa e convoca. Uma entrevista que não é para assistir distraidamente, mas para compreender o tamanho dos desafios que estão diante de nós.

“Um governo corretor de imóveis”

De forma direta e sem rodeios, Giannazi aponta o que considera o eixo central do governo Tarcísio: transformar o Estado em balcão de negócios. Segundo ele, o governador vem promovendo uma entrega acelerada de patrimônio público:

  • Privatização da Sabesp, CPTM, Metrô e balsas;
  • Leilão de escolas públicas na Bolsa de Valores;
  • Fechamento de salas e turnos, sucateando a educação;
  • Avanço dos pedágios urbanos e sistemas free flow, que pesam no bolso de trabalhadores;
  • Doação de terras públicas a grandes latifundiários — o que o deputado chama de “reforma agrária para os ricos”.
  • Para Giannazi, o governo age como representante de corporações e investidores — e não da população que depende de serviços públicos de qualidade.

Ataques à ciência e à cultura: um projeto para desmontar o futuro

O deputado descreve a ofensiva contra institutos científicos, universidades e políticas culturais como uma política deliberada de apagamento do conhecimento. Entre os pontos revelados:

  • Tentativa de vender 35 áreas de institutos de pesquisa;
  • Aprovação do PLC 9/2025, que desfigura a carreira de pesquisador científico;
  • Estrangulamento das universidades estaduais;
  • Desmonte de oficinas e programas culturais.
  • Segundo ele, trata-se de uma agenda negacionista que ameaça décadas de investimento público em ciência e cultura.

Escolas cívico-militares e o “ovo da serpente”

Giannazi é categórico: a militarização das escolas é um projeto político, não educacional.
Ele denuncia:

  • Criminalização da pobreza e foco nas periferias;
  • Contratação de monitores militares sem formação pedagógica, ganhando mais do que professores;
  • Introdução de uma ideologia de extrema direita no ambiente escolar.

Em audiência no STF, deixou um alerta que ecoa na entrevista:

“Se essas escolas forem implantadas, estarão criando o ‘ovo da serpente’.”

Seu coletivo, Educação em Primeiro Lugar, conseguiu suspender a implementação do modelo no estado — por enquanto.

Sabesp privatizada: a “Enel da água”

Após a privatização, os relatos se multiplicam: contas mais caras, cobranças abusivas, renegociações inviáveis e dívidas empurradas para cartões de crédito com juros absurdos.

Giannazi afirma:

“Avisamos desde o princípio: estavam criando a ENEL da água.”

Mesmo assim, o projeto avançou — impulsionado por mídia favorável e pela baixa mobilização popular.

E agora? Como resistir?

O mandato de Giannazi atua diariamente na linha de frente — com ações no Ministério Público, Tribunal de Contas, Defensoria e na própria Alesp.
Mas o deputado é incisivo:

“Sem mobilização popular, não há como barrar os retrocessos.”

Ele faz um chamado contundente para a formação de uma frente ampla em defesa do serviço público e da democracia — unindo:

  • servidoras e servidores de todas as áreas,
  • movimentos estudantis e populares,
  • sindicatos,
  • entidades científicas e culturais,
  • parlamentares comprometidos com o interesse público.
  • Para ele, somente uma articulação ampla, plural e combativa será capaz de interromper o desmonte, proteger direitos e reconstruir o papel social do Estado.

Campos Elíseos: quem ganha e quem perde

O megaempreendimento que pretende transferir a sede do governo para os Campos Elíseos é denunciado como um vetor de:

  • especulação imobiliária,
  • expulsão de famílias vulneráveis,
  • e aprofundamento da higienização social.
  • Mais um projeto que, segundo Giannazi, favorece interesses privados às custas da vida urbana e da população pobre.

 

Foto: Norian Segatto e Rogério Bezerra entrevistam Carlos Giannazi para o Radar Democrático em Podcast

 

Frente ampla para derrotar Tarcísio

Giannazi também faz um chamado poderoso e inadiável: é hora de construir uma frente ampla em defesa do serviço público e da democracia. Ele convoca servidoras e servidores, movimentos sociais, entidades sindicais, coletivos culturais, organizações científicas, parlamentares comprometidos e toda a sociedade que depende de políticas públicas robustas e de um Estado que funcione para o povo.

Segundo o deputado, apenas uma articulação ampla, unificada e verdadeiramente combativa será capaz de deter os retrocessos, enfrentar com firmeza os projetos de desmonte e assegurar que o Estado continue exercendo seu papel fundamental — protegendo direitos, promovendo justiça social e fortalecendo a democracia brasileira.

 

Quer entender o que realmente está em jogo em São Paulo? Assista:

“Corretor de imóveis”: Carlos Giannazi define a atuação de Tarcísio e chama por frente ampla em SP

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Rogério Bezerra
Rogério Bezerrahttps://gravatar.com/creatorloudly177c571905
Geógrafo, Mestre, Doutor e Pós-doutor em Política Científica e Tecnológica pela Unicamp. Foi Diretor de Pesquisa Aplicada da Fundacentro. Coordenador do Movimento Pela Ciência e Tecnologia Pública. Atua especialmente em temas relacionados à análise e avaliação de políticas públicas.

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