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Tarcísio quer entregar o controle da água das cidades à Sabesp, denuncia PT

Sistema Cantareira: mesmo com 33% da capacidade, Sabesp prefere captar sua água por ser mais barata. Foto: Semil / Governo de SP

A Bancada do Partido dos Trabalhadores (PT) na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) alerta que o governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) pretende criar o  “super monopólio privado” do saneamento no estado. Segundo o boletim Conexão, publicado pela bancada, o Projeto de Lei 1083/2025, enviado por Tarcísio à Alesp, forçaria a privatização dos serviços de água e esgoto em bloco em quase metade do estado, entregando para a Sabesp privatizada sistemas de coleta e tratamento de esgoto já universalizados por autarquias municipais.

O objetivo seria garantir fontes de renda à empresa privada sem a necessidade de grandes investimentos iniciais. Por outro lado, as cidades que já gerenciam seus sistemas de água e esgoto, perderiam o controle das operações para a empresa recém-privatizada.

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O projeto de Tarcísio propõe a reestruturação do saneamento básico paulista através da fusão de Unidades Regionais de Saneamento Básico (URAEs). O projeto faz parte do programa “Universaliza SP” e visa integrar 278 municípios do interior que hoje não são atendidos pela Sabesp. O projeto foi enviado no final do ano passado para Assembleia e deve entrar em discussão nesta semana, para depois poder ser votado.

A Bancada do PT denuncia que desde a privatização a Sabesp tem priorizado o lucro dos acionistas em detrimento do abastecimento da população, particularmente nas áreas mais periféricas. A empresa estaria adotando uma estratégia de “gerenciamento” da escassez de água que impacta desproporcionalmente as áreas mais pobres e elevadas. A redução da pressão na rede de distribuição faz com que moradores da periferia fiquem com as torneiras secas por dias.

Enquanto isso, a empresa opta por explorar prioritariamente o Sistema Cantareira, mesmo com o reservatório em estado crítico (33% da capacidade), devido ao menor custo de operação. Sistemas como Billings e Guarapiranga, que mantêm bons níveis de armazenamento, são preteridos por terem custos de tratamento mais elevados. Para suprir a demanda, a Sabesp também aumentou a captação no sistema Paraíba do Sul, compartilhado com o Rio de Janeiro.

Resistência Política e Social

Na Assembleia, as bancadas do PT e do PSOL buscam obstruir a votação do projeto das URAEs, acusando o governo de Tarcísio de Freitas de usar sua influência para acelerar a aprovação. Há resistência também por parte de prefeitos do interior, como em Jaboticabal, onde há mobilizações contra a perda do controle municipal sobre o serviço de água.

Para os parlamentares, o cenário atual reflete uma submissão do governo estadual aos interesses do mercado financeiro, criando um modelo de gestão em que a população é obrigada a pagar tarifas elevadas por um bem vital, enquanto a qualidade do serviço decai, principalmente para os mais pobres. A denúncia aponta para um futuro em que o acesso à água se torna cada vez mais desigual, com a Sabesp priorizando o lucro em detrimento do bem-estar da população.

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