Professores da rede estadual de São Paulo iniciam uma greve de dois dias nesta quinta-feira (9), com paralisação também prevista para sexta-feira (10). A categoria protesta contra a política de bonificação do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) e exige reajuste salarial linear, além de melhores condições de trabalho. A decisão foi tomada em assembleia da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) e visa pressionar o governo a atender as reivindicações da categoria.
Entre as principais reivindicações dos professores, destacam-se o reajuste do piso salarial nacional com impacto na carreira, a aplicação correta da jornada de trabalho (com tempo para atividades extraclasse) e a retirada do Projeto de Lei 1316/2025, que trata da reforma administrativa na educação. A categoria também critica o sistema de avaliação de desempenho, considerado punitivo, e pede a garantia de atribuição de aulas de forma transparente.
O Projeto de Lei 1316/2025 é um dos principais pontos de discórdia entre os professores e o governo estadual. A proposta institui avaliações periódicas que podem levar à remoção compulsória de docentes com desempenho insatisfatório, além de regras mais rígidas para faltas e a possibilidade de transferência compulsória de professores por interesse da administração. A deputada estadual Professora Bebel (PT), presidenta licenciada da Apeoesp, tem denunciado na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) o que considera ataques aos direitos dos professores contidos no PL.
A mobilização dos professores tem ocorrido por meio da Caravana da Educação, que já instalou comitês populares em diversas regiões do estado para debater o tema com a comunidade escolar. A Apeoesp convocou uma assembleia para o dia 10, no vão livre do MASP, na Avenida Paulista, para avaliar a continuidade do movimento grevista. A expectativa é de que a participação dos professores seja fundamental para definir os próximos passos da luta por valorização profissional e melhorias na educação pública.
O que diz o governo
Até o momento, o governo estadual não se manifestou oficialmente sobre a greve. Em encontro com a direção da Apeoesp, o secretário executivo da Secretaria Estadual da Educação, Vinícius Neiva, ouviu as reivindicações da categoria e informou que a pasta irá emitir comunicado sobre a retirada da avaliação de desempenho para os professores classificados como “farol amarelo”. Sobre o pagamento dos retroativos referentes ao tempo de serviço congelado na pandemia, o secretário afirmou que o governo analisa a questão juridicamente.
Diante da falta de avanços nas negociações com o governo, os professores decidiram manter a paralisação e prometem ampliar a mobilização para pressionar o governo Tarcísio de Freitas a atender as reivindicações da categoria e valorizar a educação pública em São Paulo.
