Flávio Bolsonaro, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o deputado federal Nikolas Ferreira se reuniram e decidiram, de forma unânime, não reconhecer a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais, informa Thiago Nolasco no R7. A decisão foi tomada momentos antes da declaração pública de Flávio Bolsonaro sobre recorrer à Justiça para anular o resultado da eleição.
A principal contestação da equipe de Flávio Bolsonaro gira em torno da decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de prorrogar por duas horas o funcionamento de seções eleitorais. Internamente, a cúpula do PL admite que a medida judicial tem poucas chances de sucesso, servindo mais como uma forma de “marcar posição”.
Clima de abatimento e preocupações com o futuro
Fontes relataram um clima de forte abalo e incredulidade no quartel-general do PL com o resultado das urnas. Tarcísio de Freitas e, em especial, Nikolas Ferreira demonstraram grande impacto emocional. Em conversas com aliados, Nikolas expressou preocupação com o cenário político e com as quatro indicações que o presidente Lula poderá fazer ao STF ao longo do mandato. Outros aliados, como os governadores eleitos Luciano Zucco (Rio Grande do Sul) e Marcos Rogério (Rondônia), e o senador Rogério Marinho, também participaram da reunião que selou a contestação.
O desafio imediato para o grupo é reorganizar a oposição e definir quem assumirá sua liderança. Flávio Bolsonaro, que obteve 59.826.041 votos (48,21% dos votos válidos), afirmou que não pretende “desistir do Brasil”. Embora alguns aliados defendam uma saída temporária do candidato derrotado do país, outros consideram a ideia descabida, dada a expressiva votação alcançada.
Um entrave adicional apontado por interlocutores é a manutenção da unidade entre as principais lideranças de direita para estruturar uma oposição consistente e firme no Congresso Nacional.



