O governo do estado de São Paulo adiou a abertura de duas novas paradas da Linha 6-Laranja do metrô, prometidas inicialmente pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) para outubro deste ano. As unidades Brasilândia e Itaberaba-Hospital Vila Penteado ainda não têm uma nova data oficial estabelecida pela concessionária Linha Uni, embora a administração estadual mantenha a previsãoa de disponibilizá-las ao público até o encerramento de 2026. As informações são de Rodrigo Rodrigues no G1.
Em manifestação por nota, a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) informou que modificações nos prazos contratuais são admitidas mediante análise regulatória técnica e do Poder Concedente. O órgão reafirmou que a perspectiva de operação das duas paradas segue voltada para este ano, o que completará o trecho inicial. A Linha Uni declarou que não acrescentaria detalhes ao comunicado emitido pela agência.
Dados disponibilizados pela própria concessionária mostram que os trabalhos continuam pendentes. A estrutura de Brasilândia alcançou 96,34% de conclusão, ao passo que Itaberaba-Hospital Vila Penteado está em 87,72%. Outro ponto do projeto, a estação Maristela, encontra-se em patamar inferior, somando apenas 70,89% de execução física.
Inaugurações parciais e cronograma acelerado
Em julho deste ano, seis paradas haviam sido entregues no limite do período permitido pela legislação eleitoral para participação de governantes em eventos públicos: Água Branca, Santa Marina, Perdizes, João Paulo I, Freguesia do Ó e Sesc-Pompeia. Todas foram liberadas com intervenções remanescentes e operam em formato assistido e sem tarifa, das 10h às 15h, transportando mais de 108 mil usuários desde a estreia.
O adiantamento desse primeiro pacote custou aos cofres públicos um aditivo contratual de R$ 3,6 bilhões no ano anterior. Diante de questionamentos, o governador Tarcísio de Freitas defendeu a estratégia na época: “Quanto mais tempo você deixa de operar, maior é a conta [para o estado], devido à perda de receita. Então o que foi feito? Vamos trabalhar num programa de aceleração, para colocar a linha para operar antes, para gerar receita antes e para diminuir essa conta. É o ganha-ganha. Para empresa é bom, para o cidadão é bom”.
Histórico de paralisações e extensão do ramal
A Linha 6-Laranja representa a primeira parceria público-privada do sistema metroviário paulista, anunciada há 18 anos durante a administração de José Serra e iniciada sob Geraldo Alckmin em 2015. Após paralisações provocadas pelos desdobramentos de construtoras investigadas na operação Lava Jato, as atividades foram retomadas em 2020 na gestão de João Doria pela empresa espanhola Acciona.
Com investimento global de aproximadamente R$ 19 bilhões, o trajeto completo deve abranger 15 quilômetros e 15 estações entre a Brasilândia e São Joaquim até outubro de 2027. O percurso total prevê reduzir a viagem para 23 minutos e beneficiar diariamente cerca de 630 mil pessoas na capital.



