O professor Henrique Tahan Novaes, da Faculdade de Filosofia e Ciências (FFC) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), câmpus de Marília, participará da COP31, principal conferência internacional da ONU sobre mudanças climáticas, que começa em 9 de novembro, em Antália, na Turquia. Selecionado em edital do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), em um processo de ampla concorrência, o pesquisador integrará duas mesas-redondas dedicadas ao papel das universidades no enfrentamento da crise climática.
A participação tem relevância em um momento decisivo para a agenda ambiental mundial, marcado pela intensificação dos eventos climáticos extremos, pelas disputas em torno do financiamento da transição energética e pelos desafios de transformar compromissos internacionais em políticas efetivas. Além das negociações entre governos, a COP31 reúne pesquisadores, universidades, movimentos sociais e organizações da sociedade civil para discutir alternativas e compartilhar experiências.
Uma trajetória acadêmica dedicada à relação entre universidade, sociedade e transformação socioambiental
Economista, livre-docente e professor da Unesp desde 2011, Henrique Tahan Novaes construiu uma trajetória acadêmica voltada à crítica dos modelos tradicionais de produção e desenvolvimento, à educação, à agroecologia e à relação entre universidades e movimentos sociais. É doutor e mestre em Política Científica e Tecnológica pela Unicamp e foi coordenador do Programa de Pós-Graduação em Educação da Unesp entre 2022 e 2025.
Autor de diversos livros publicados no Brasil e no exterior, desenvolve pesquisas sobre trabalho associado, políticas educacionais, movimentos sociais e alternativas de organização da produção. Também coordena a Coordenadoria de Desenvolvimento Profissional e Práticas Pedagógicas da Unesp (CDeP3) e o curso de extensão Como impedir o fim do mundo: colapso ambiental e alternativas, que reúne pesquisadores de diferentes instituições.
Na COP31, participará de debates sobre a contribuição das universidades para a promoção da biodiversidade urbana e sobre a importância da educação interdisciplinar para enfrentar os problemas ambientais. Entre as questões que pretende abordar estão a produção de alimentos sem agrotóxicos para as grandes cidades, a agroecologia e a necessidade de superar a fragmentação do conhecimento na formação universitária.
Para o pesquisador, as universidades públicas precisam incorporar a questão ambiental de maneira transversal ao ensino, à pesquisa e à extensão, aproximando a produção científica das demandas sociais. Sua participação também coloca em evidência a contribuição da universidade pública latino-americana para a construção de alternativas aos atuais padrões de produção e consumo.
A presença de Henrique Tahan Novaes na COP31 representa, assim, não apenas a participação de um pesquisador brasileiro em um dos mais importantes fóruns internacionais, mas também a defesa de uma universidade pública comprometida com a justiça socioambiental e a transformação das condições de vida da população.
* O Radar Democrático publica artigos de opinião de autores convidados para estimular o debate.



