O número de mortes pela polícia militar cresceu pelo terceiro ano seguido no estado de São Paulo durante a gestão de Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos). Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o ano de 2025 marcou o ápice dos casos, com 834 mortes por policiais civis e militares. Desses, 700 foram realizados por agentes de segurança em serviço.
Os dados levantados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indicam que o número de mortes por policiais cresceu desde que o atual governador assumiu. Em 2022, antes de Tarcísio tomar posse, o estado registrou 421 mortes por policiais, sendo 256 por agentes em atividade. De lá para cá esse número quase dobrou.
Logo no primeiro ano da gestão do chefe do Executivo paulista, foram 504 mortes. Esse dado saltou em 2024 para 813, até chegar aos 834 do ano passado.
Esse período ficou marcado por operações como a Escudo e Verão, realizada entre 28 de julho e 5 de setembro de 2023 na baixada santista, como resposta ao assassinato do soldado das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), o batalhão mais letal da PM paulista, Patrick Bastos Reis, na noite de 27 de julho, no Guarujá.
Nesse período, 28 pessoas foram mortas. A ação foi retomada meses depois, sob o nome de Operação Verão, entre 18 de dezembro de 2023 e 1º de abril de 2024. Na segunda fase, a PM matou 56 pessoas. No total, 84 pessoas foram mortas nas duas operações. Essa foi a operação mais letal da história da Polícia Militar de São Paulo desde o Massacre do Carandiru, realizado em 1992 e que deixou 111 mortos.
O aumento das mortes também se deu em meio a uma disputa promovida pelo governador com o uso de câmeras corporais para os policiais em atividade. Depois de assumir, Tarcísio determinou a retirada do equipamento, mas após um acordo com o Supremo Tribunal Federal (STF), o aparelho voltou a ser usado em novas condições.
O aumento das mortes revertem uma tendência de baixa registrada até 2022. Em 2017, os policiais paulistas mataram 941. Cinco anos depois, esse número havia caído 55%.
Feminicídios também em alta
Os principais dados de violência contra a mulher também tiveram alta nos últimos três anos. Se em 2022 foram 195 mortes de mulheres no estado, em 2025 esse número cresceu para 270. Esse é um recorde na série histórica iniciada em 2018. O feminicídio passou a ser tipificado como crime no Brasil em março de 2015. A então presidenta Dilma Rousseff assinou a lei nº 13.104, alterando o Código Penal para incluir o assassinato de mulheres por razões de gênero como uma qualificação de homicídio.
A capital também seguiu a tendência de alta. Com 63 mortes, o ano passado registrou recorde de mortes de mulheres classificadas como feminicídio. Esse é mais que o dobro do que foi notificado em 2018, quando 29 mulheres morreram.
Queda nos homicídios
Não fosse a polícia militar, os dados do estado seriam positivos. Em São Paulo, o número de homicídios totais caiu pelo terceiro ano seguido. Em 2025 foram 2.527 vítimas, quase 7 mortes por dia. Ainda assim, o número representa uma baixa de 3,9% em comparação com o ano anterior.
A taxa de homicídios classificados como dolosos foi de 5,46 a cada 100 mil habitantes, a menor da série histórica da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) desde 2001. Naquele ano foram 13.133 mortes em todo o estado. De lá para cá, a tendência foi sempre de baixa.
Na capital, no entanto, o número cresceu. A cidade de São Paulo registrou 530 homicídios em 2025, um aumento de 6,4% em relação ao ano anterior.


