As despesas assistenciais do Saúde Caixa cresceram 21,4% em um ano, atingindo R$ 4,294 bilhões em 2025, ante R$ 3,537 bilhões em 2024. O plano registrou um déficit de R$ 627 milhões em 2025, sendo R$ 581 milhões cobertos pela Caixa conforme Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). O cenário acendeu um alerta na Fenae (Federação das Associações de Empregados da Caixa) sobre a sustentabilidade do plano.
A consultoria contratada pela Caixa para analisar o plano apresentou alternativas para restabelecer o equilíbrio financeiro. Entre as sugestões está a implementação de um modelo de custeio baseado em faixas etárias. Outra medida apontada como eficaz para controlar as despesas assistenciais é o aprimoramento do controle e a “restrição da rede credenciada”.
Insatisfação dos usuários com custo e rede
Uma pesquisa de satisfação realizada pela Caixa revelou que os principais motivos que levariam os usuários a deixarem o Saúde Caixa são o aumento do custo (46,8%) e a qualidade/abrangência da rede credenciada (28,5%). A pesquisa, prevista pelo ACT, ouviu 15.966 usuários em dezembro de 2025.
Leonardo Quadros, diretor de Saúde e Previdência da Fenae, destacou que a entidade tem trabalhado para manter as alíquotas de mensalidade estáveis desde 2021. Ele ressaltou que qualquer novo aumento no plano poderia levar à saída de titulares, seja por inviabilidade financeira ou pela perda de atratividade do custeio. A Fenae defende a ampliação da participação da empresa no custeio, a aplicação do modelo 70/30, a manutenção da solidariedade e do pacto intergeracional, além de melhorias na gestão e programas de prevenção e promoção da saúde.
Sergio Takemoto, presidente da Fenae, apontou que os empregados já sentem os efeitos da restrição da rede credenciada, que é sugerida pela consultoria para controle de custos. Ele citou exemplos em Santa Catarina e Guarulhos (SP), onde atendimentos foram ameaçados ou houve luta por credenciamento de hospitais com melhores condições. Takemoto enfatizou que o equilíbrio financeiro do Saúde Caixa deve vir do aumento da participação da empresa e de melhorias na gestão, sem comprometer a qualidade do plano.



