A convenção que oficializou a candidatura de Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo, no sábado, dia 25 em Campinas, transformou o ginásio do Clube Concórdia em uma arena de críticas à gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos). Entre denúncias técnicas e adjetivos duros, a chapa encabeçada por PT e PSB tentou desconstruir a imagem do atual governador, chamando-o de líder “ingrato”, “negacionista” e “subserviente” a interesses externos.
O tom mais pesado partiu de Márcio França (PSB), candidato a vice-governador, que centrou sua fala na deslealdade histórica de Tarcísio. França classificou o governador como um “político ingrato” por ter ocupado cargos de confiança nos governos Lula e Dilma, para, agora, atacá-los. França lembrou que o governador, depois de atuar nos governos petistas, continou em cargos de confiança dos presidentes Temer e Bolsonaro.
O candidato disse que Tarcísio não foi escolhido para disputar a presidência porque não confiam nele. “Eles sabem que o Tarcísio é traíra: tem cara de traíra, tem rabo de traíra, tem dente de traíra”, disparou França, ao afirmar que a população do interior não aceita esse tipo de conduta. O ex-governador ainda ironizou a origem do adversário, chamando-o de forasteiro e desafiando alguém a descobrir seu endereço real – já que, segundo ele, a casa do carioca Tarcísio continua em Brasília.
“Robô” e “bolsonarismo envergonhado”
A crítica à condução política e administrativa também ganhou espaço. Beto Tricoli, presidente do PV paulista, definiu Tarcísio como um “robô programado para vender o estado” e esvaziar o bolso das famílias paulistas. Já o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) preferiu uma leitura mais política, classificando a gestão estadual como “bolsonarismo envergonhado” – em contraste, segundo ele, com o estilo “escancarado” de outros aliados da família Bolsonaro.
Alckmin também mirou a condução dos leilões na Bolsa de Valores, afirmando que “a prepotência e a arrogância daquelas marteladas” acabaram trincando as vitrines do estado – uma referência aos problemas que se seguiram às privatizações da Sabesp e das linhas de trens.
A denúncia de “desonestidade intelectual” e insegurança
Simone Tebet e Fernando Haddad, candidatos ao Senado e ao governo, centraram fogo no que chamaram de falhas graves de gestão. Tebet acusou o governador de “desonestidade intelectual” por fazer propaganda de uma segurança pública que, segundo ela, não existe para as mulheres, citando o aumento de 10% nos feminicídios em São Paulo em meio à queda dos índices nacionais.
Haddad foi além e subiu o tom contra as forças policiais, declarando que o comando da Polícia Militar está “contaminado pelo crime organizado” e “mancomunado” com criminosos. Ele também ridicularizou as alianças internacionais de Tarcísio, criticando a entrega de medalhas ao presidente argentino Javier Milei – a quem acusou de estar “dando carne de burro para a população comer”.
“Negacionismo” e o abandono social
A ex-ministra Marina Silva (Rede), candidata ao Senado, rotulou a gestão como “negacionista”, afirmando que esse perfil é incapaz de cuidar dos municípios sujeitos a desastres climáticos. Ela e Haddad também bateram na tecla do abandono social, citando o aumento de 82% na população em situação de rua no estado como prova do fracasso das políticas humanitárias atuais.



