A última reunião da mesa de negociação entre a Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa) e a direção da Caixa Econômica Federal, realizada na quinta-feira (30/04), terminou com um cenário de divergências e críticas sobre a gestão operacional do banco. O encontro foi pautado por queixas relacionadas à sobrecarga de trabalho, mudanças no modelo de atendimento e impactos na saúde mental dos funcionários.
Um dos principais pontos de atrito foi a implementação do modelo “Figital”, que integra o atendimento físico ao digital. Representantes dos trabalhadores relataram que a nova dinâmica obriga os empregados a realizarem atendimentos simultâneos em canais presenciais e virtuais. Segundo a CEE, há uma pressão intensa para que o tempo de espera no canal digital não ultrapasse cinco minutos, o que estaria gerando desgaste emocional.
Além disso, a comissão questionou a falta de planejamento e treinamento na migração de carteiras e na implantação das plataformas voltadas à Pessoa Jurídica (PJ). De acordo com os representantes, funcionários que atuavam no atendimento à Pessoa Física estão sendo deslocados para o setor PJ sem a preparação técnica necessária para absorver as novas demandas.
Projetos piloto e metas
O projeto piloto “Gênesis”, em curso em 129 agências, também foi alvo de críticas. A representação dos empregados argumentou que o banco tem aplicado metas rígidas e penalidades em unidades que ainda estão em fase de teste, o que consideram uma medida desproporcional antes da consolidação do modelo definitivo.
Sobre o programa SuperCaixa, os trabalhadores cobraram regras mais transparentes para a remuneração variável. “A gente precisa de compromisso real de justiça e transparência”, afirmou Érico Jesus, membro da comissão.
Insegurança salarial e saúde mental
A situação de caixas e tesoureiros segue sem uma solução definitiva. Diante do fechamento ou transformação de agências, a principal preocupação levada à mesa é a garantia de que não haverá perda de renda para esses profissionais. Luiza Hansen, representante dos empregados, destacou que o clima de incerteza sobre o futuro das funções tem gerado insegurança na base.
Dados de uma pesquisa da Fenae citados durante a reunião reforçam o cenário de preocupação com a saúde:
32% dos empregados afirmam viver sob ameaça de perda de gratificação (descomissionamento).
37% relataram diagnóstico de problemas de saúde mental relacionados ao trabalho.
61% dizem não perceber apoio adequado da empresa para questões psicológicas.
Posicionamento da Caixa
Em resposta aos questionamentos, a direção da Caixa informou que está avaliando as reivindicações relativas ao SuperCaixa e que mantém estudos para aperfeiçoar os modelos de gestão e atendimento. Sobre a situação de caixas e tesoureiros, o banco afirmou que segue analisando alternativas para a categoria.
Para a coordenação da CEE, entretanto, as sinalizações da instituição ainda são insuficientes. O tema será encaminhado ao Comando Nacional dos Bancários para avaliação de possíveis medidas de mobilização ou ações legais.
Saúde Caixa
A reunião também abordou o plano de saúde dos funcionários. A representação dos trabalhadores reiterou o pedido pela retirada do teto de 6,5% para o custeio do plano por parte do banco, além de melhorias no credenciamento de redes. Uma nova rodada de negociações específica sobre o Saúde Caixa está agendada para o final de maio.



