Após semanas de apreensão e mobilização da comunidade científica, o Instituto Adolfo Lutz (IAL) teve a garantia de que seus prédios históricos e laboratórios estratégicos não serão demolidos. Em reunião realizada em 28 de julho, o secretário estadual da Saúde, Eleuses Paiva, afirmou à deputada federal Luiza Erundina que o projeto do chamado “Hospital Inteligente” não afetará a estrutura do IAL. Segundo o secretário, a área em estudo para a nova unidade hospitalar seria a atual sede da Secretaria da Saúde, localizada na Avenida Dr. Enéas de Carvalho Aguiar, e não os edifícios do Instituto.
A reunião contou com a presença de representantes da Associação de Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC), incluindo a advogada Helena Goldman e a pesquisadora Roberta Blanco, além de membros do SindSaúde. A participação dessas entidades foi crucial para apresentar diretamente ao governo estadual as preocupações da comunidade científica. Foi apontada a falta de transparência e diálogo nas etapas iniciais do processo como um dos principais pontos de crítica levantados pela APqC e pelos pesquisadores do Instituto.
A presidente da APqC, Helena Dutra Lutgens, ressaltou que a declaração do secretário Eleuses Paiva é um sinal importante, mas alertou para a necessidade de a mobilização continuar. Ela destacou a ausência de manifestação oficial do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) sobre o tema e a importância de uma posição inequívoca do Governo do Estado para assegurar a preservação integral da infraestrutura científica do IAL. O Instituto é considerado estratégico para a vigilância epidemiológica e sanitária, com laboratórios construídos ao longo de décadas.
Vitória da mobilização científica
A deputada federal Luiza Erundina, que intermediou a reunião, classificou a preservação do IAL como uma vitória da mobilização coletiva. Ela enfatizou o papel essencial do Instituto para a pesquisa, vigilância de doenças e formação de profissionais, defendendo a criação de um canal permanente de diálogo entre a Secretaria da Saúde e os trabalhadores para discutir o fortalecimento da instituição, especialmente diante da redução do quadro de servidores.
A APqC reiterou que a mobilização demonstrou a importância da ciência pública, reafirmando seu compromisso em permanecer vigilante na defesa do Instituto Adolfo Lutz e de seus trabalhadores. O Instituto, com 134 anos de história, é reconhecido internacionalmente por sua competência em realizar quase 600 exames diferentes, sendo fundamental para a saúde pública e a ciência. A preocupação em torno do projeto do “Hospital Inteligente” também envolvia a ameaça de demolição de prédios que recentemente passaram por reformas e modernizações custando mais de R$ 100 milhões, além do risco de entrega do patrimônio público a Organizações Sociais (OSS).



